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Sexta-feira, 8 agosto de 2008   edições anteriores
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  Propaganda de remédio proibida

Anvisa vetou publicidade do analgésico Mirador, que usava o slogan

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu “cartão vermelho” para a propaganda do analgésico Mirador, estrelada pelo ex-atleta Pelé. Ontem, foram proibidas no País todas as peças publicitárias do medicamento, veiculadas na TV, rádio, jornais e revistas. O argumento é que a publicidade induzia o consumidor ao erro, já que as expressões “muito bom” e “remédio forte” atribuíam características superiores à real eficácia do produto.

Além das informações exaltadas sobre a medicação, o principal incômodo nos técnicos foi o slogan do Mirador: “O Pelé dos comprimidos”, frase entoada nos comerciais pela atriz global Ísis Valverde. A avaliação é que a analogia do analgésico ao desempenho profissional do ex-jogador de futebol “realiza uma comparação indireta com outros medicamentos da mesma classe terapêutica, o que é vedado pela legislação sanitária vigente”.

A fabricante do remédio, a DM Indústria Farmacêutica, informou que foi notificada pela Anvisa e já alterou a publicidade. Por meio de sua assessoria, a empresa disse que “a campanha do Mirador foi modificada, em 1º de agosto, seguindo as orientações da Agência e uma nova versão do filme já está no ar”.

A proibição de ontem ilustra a “briga” que a Anvisa comprou contra a publicidade da indústria farmacêutica. Desde o início do ano, o governo federal discute a regulamentação desse tipo de publicidade, apontada como uma das responsáveis pela automedicação.

Na última audiência pública sobre o tema, realizada em 30 de junho, a Anvisa defendeu que o texto dos “garotos-propaganda” das campanhas publicitárias contemplem as minúsculas frases escritas nas bulas. Foram selecionadas 45 substâncias mais comuns nos remédios e, para cada uma delas, foi criada uma ou mais mensagens de alerta. A idéia é que as frases entrem no “script” dos atores das peças.

A proposta ainda está em análise e o texto final da nova norma sanitária para a propaganda de remédios deve ser finalizado até o fim do ano.

O maior rigor no controle dos comerciais das medicações é exigência das entidades de saúde, como forma de prevenir, inclusive, as intoxicações. No último relatório da Fundação Oswaldo Cruz, os remédios causaram 32mil casos de envenenamento no País, em um ano.



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