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Lanche de fast-food extrapola em sal e gordura
Pesquisa do Idec mostra que as combinações voltadas às crianças estão longe de compor um cardápio saudável
EMILIO SANT’ANNA, emilio.santanna@grupoestado.com.br
Na frente do caixa da rede de fast-food surge a figura de um herói do cinema ou dos desenhos animados. Batman, Scooby-Doo ou um urso panda mestre em kung fu estão todos lá convidando as crianças a pedir uma das refeições da loja e, de quebra, levar um brinde para casa. O problema é que esses lanches podem conter, por exemplo, 70% da quantidade de gordura saturada e sal recomendada para o consumo diário, ou pior: grandes concentrações de gordura trans, responsável pelo aumento do colesterol.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) resolveu investigar as características nutricionais das refeições de cinco redes de fast-food. No McDonald’s, Bob’s, Burguer King, Habib’s e Giraffas, as refeições são vendidas como “combos” - combinações de lanche, acompanhamento e bebida -, opções que estão longe de qualquer forma de cardápio saudável.
Levando-se em consideração a recomendação para crianças de 6 anos - cuja dieta deve ter 1.450 quilocalorias e conter até 16 gramas de gorduras saturadas e até cerca de 1.000 miligramas de sódio - os combos extrapolam as quantidades indicadas por dia.
Segundo o Idec, o melhor mesmo seria que os pais resistissem aos apelos dos filhos. Para crianças de até 3 anos de idade, um kit de fast-food pode ultrapassar bastante a quantidade de sódio e de gordura saturada que deve ser consumida durante um dia inteiro e chega a 72% das gorduras totais.
O resultado da superexposição das crianças a essa forma de alimentação pode ser o desenvolvimento precoce de doenças como hipertensão, aterosclerose e obesidade. De acordo com a nutricionista Anita Sachs, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o ideal é que os pais não proíbam essa forma de alimentação, mas também não usem o fast-food como forma de recompensa para seus filhos. “Uma vez por mês é mais do que o ideal”, diz.
A endocrinologista Lea Diamant, do Hospital Albert Einstein, vai além. Segundo ela, os pais de crianças com peso acima do normal devem banir o fast-food da alimentação de seus filhos. “Todos os prejuízos que um adulto tem com essa forma de alimentação, os menores também têm. A aterosclerose, por exemplo, pode se desenvolver em crianças”, afirma.
Se resistir aos apelos das crianças parece uma tarefa difícil, a endocrinologista lembra: “Não é a criança que decide. Quem tem de impor as regras é a mãe”.
Marcos Pó, advogado do Idec, é um dos que defendem o fim das propagandas de alimentos voltadas para crianças nos pontos-de-venda. Para ele, a publicidade deve ser encarada com uma ação comercial, passiva de regulamentação. “A oferta de um produto deve ser feita sobre suas qualidades e não apelando para os brindes, como fazem as redes de fast-food”, afirma.
Outro lado
A pesquisa do Idec também identificou a ausência de informações nutricionais nos pontos-de-venda de lojas do Burguer King e informações parciais nas outras redes.
Procurada pela reportagem, a Burger King afirma que está tomando as providências necessárias para atender às solicitações do Idec no que diz respeito às informações nutricionais de todos os produtos que oferece. O McDonald’s afirma que o McLanche Feliz pode ser montado de acordo com a preferência da criança, incluindo vegetais e frutas. A rede Giraffas afirma que “uma possível ausência do cardápio nutricional é motivada pela atual troca de layout do mesmo”, e o Bob’s afirma disponibilizar informações nutricionais em todas as embalagens de seus produtos.
POR UMA DIETA MAIS NUTRITIVA
O livro “Deliciosos e Disfarçados - Como tornar a alimentação do seu filho saudável sem que ele perceba” (acima), a norte-americana Jessica Seinfeld, mulher do humorista Jerry Seinfeld e mãe de três crianças, dá dicas preciosas para quem tenta cortar do cardápio dos pequenos bombas calóricas, como as servidas nas redes de fast-food
A regra básica do livro é simples: com idéias criativas, é possível “disfarçar” a vitamina de uma refeição. Assim, ela sugere “camuflar” purês de legumes e verduras nos pratos preferidos. Por exemplo, aproveitar a semelhança das cores e misturar um purê de abóbora à macarronada (abaixo)
As numerosas receitas escolhidas por Jessica levam em consideração a predileção das crianças por pratos como nuggets de frango (acima), pizzas, panquecas e brownies - que, no livro, ganharam versões mais saudáveis
O manual traz ainda orientações para equipar a cozinha, abastecer a despensa e regras nutricionais para crianças
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