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Marias-picape
Não importa o som, nem o local da balada. Existem meninas que só querem saber do DJ da noite
Bruna Campoy, bruna.campoy@grupoestado.com.br
Antigamente, o disc-joquey era aquele cara que ficava num cantinho da festa, escondido, tocando seus discos. O culto à música eletrônica, que vem das raves dos anos 90 para cá, no entanto, alçou a figura do DJ ao status de celebridade. Eles viraram os reis da noite. Hoje, instalam suas picapes - a mesa onde ficam seus toca-discos - em lugar de destaque na pista de dança, enquanto o público os acompanha como se estivesse num show de uma grande banda de rock.
Toda essa badalação fez surgir uma nova tribo na noite: as Maria-Picape. Sim, o nome é inspirado nas velhas conhecidas Maria-Gasolina e a Maria-Chuteira. O expediente também é o mesmo. Na balada, nas raves, nas festas, não importa o som. Para elas, o que interessa é se dar bem com a estrela da noite e, se tudo der certo, subir, nem que seja por cinco minutos, naquela cabine onde todo mundo as vê.
No site de relacionamentos Orkut existe até uma comunidade dedicada a esse grupo, com mais de 40 integrantes. Apesar de assumidas no mundo virtual, nenhuma dessas meninas topou falar sobre o assunto para a reportagem do JT. Os alvos das Maria-Picape, no entanto, confirmam que não existe balada que não tenha pelo menos uma garota tentando chamar a sua atenção. O DJ Felipe Venâncio faz a sua definição para a categoria: “Penso naquela menina que já sai de casa pensando no DJ e nas vantagens da ‘amizade’ e nem cogita conhecer alguém que venha de outro lugar do clube que não seja a cabine de som.” E explica a razão dessa febre: “Hoje em dia o DJ é o centro da balada. É sempre mais legal ficar lá em cima. É a verdadeira área VIP.”
Já para Renato Ratier, proprietário do clube D-Edge, existem dois tipos de Maria-Picape. “Tem as que curtem o som e outras que só querem aparecer em cima da cabine.” Ratier, que é casado, conta que já passou por situações embaraçosas com garotas dando em cima dele com sua mulher do lado. “Uma vez estava tocando em Londres e uma brasileira queria tirar foto toda hora, mas a minha mulher estava comigo e eu ficava sem graça. A menina vinha querendo subir e me abraçar. Acabei tendo de chamar o segurança”, conta. O DJ Raul Boesel também tenta evitar o assédio das meninas. “Comigo não acontece muito porque sou casado e sempre estou acompanhado da minha mulher.”
Mas há quem goste desse assédio todo. Jason Salles, residente da festa Chapa Quente, do clube Vegas, confessa que adora chamar a atenção delas. “Maria-Picape é uma mulher que não resiste ao DJ. Eu, particularmente, adoro. Coloco cinco, seis mulheres na cabine comigo.”
Salles conta que o diálogo é quase sempre o mesmo. “Elas sempre dizem ‘posso ficar aqui dançando?’ ou ‘deixa eu fingir que estou tocando?’. Já sabemos de cor.” Mas ele também não escapou de situações complicadas. “Estava tocando em Fortaleza e tinha uma garota que estava tão empolgada que sentou no toca-discos e parou a música. Foi constrangedor.”
De fato, solteiros como o DJ Patife se divertem com a fama entre as garotas. “Certa vez, quando terminei meu set, uma menina correu para a porta da cabine, segurou meu braço com força e disse: ‘você não vai a lugar algum sem mim’. Então respondi: ‘preciso ir ao banheiro urgente’. Ela disse: ‘Ok, vou junto contigo, porque hoje você é meu.’”
Elas têm até festa
A febre da mulherada em cima dos DJs é tanta que serviu de inspiração para que o DJ Tony Tramell criasse uma festa itinerante denominada ‘Maria Picapi’, há três meses. A balada, sempre de rock eletrônico, não tem data fixa para acontecer. A próxima será realizada no dia 21, no Boca Club (R. Augusta, 902. Tel: 3459-7010).
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