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Quinta-feira, 6 março de 2008   edições anteriores
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  O sistema de saúde dos EUA foi parar na UTI

Franthiesco Ballerini

Em seu novo filme, ‘Sicko - S.O.S Saúde’, Michael Moore quer provar que o sistema de saúde americano é o mais caro e o pior de todo o hemisfério ocidental

Que interesse têm os brasileiros em ver um documentário sobre as mazelas do sistema de saúde dos EUA? Dois. Primeiro, o filme é dirigido por Michael Moore, o homem mais hábil em transformar documentários em entretenimento. Segundo: ainda há empresas por aqui com aquela mentalidade atrasada de querer copiar tudo que vem do primeiro mundo.

Em Sicko - S.O.S Saúde, que estréia amanhã, grávidas, velhinhos e doentes brasileiros vão dar graças a Deus por não morar nos Estados Unidos. Após falar da obsessão dos americanos por armas (Tiros em Columbine) e terrorismo (Fahrenheit 11 de Setembro), Michael Moore ataca novamente o governo que, segundo ele, é responsável por deixar 50 milhões de americanos sem assistência médica.

Este é o documentário mais tendencioso de toda a carreira do diretor. Não que ele falte com a verdade, apenas esconde fatos para reforçar o que o interessa. Sicko é também um documentário hilário, cheio de humor incorreto. Ele mostra, por exemplo, um homem que perdeu dois dedos em uma serra. Ao saber do preço dos implantes, resolveu optar em recolocar o dedo mais barato, que custava US$ 12 mil. O outro custaria US$ 60 mil. Mostra também seu alvo preferido, George W. Bush, soltando uma gafe. “Muitos ginecologistas estão incapazes de praticar seu amor com as mulheres no país inteiro”, disse em um evento sobre a fuga de médicos do sistema de saúde.

Bush é um alvo fácil, mas Moore ataca também Richard Nixon que em 1971 foi flagrado dizendo “quanto menos assistência médica tiverem, mais dinheiro os americanos pagarão”. Ataca Hilary Clinton, que tentou reformar o sistema mas depois teria se vendido para lobistas. Em Havana, americanos recebem tratamento grátis. Em Londres, o caixa do hospital serve para dar dinheiro para a condução dos enfermos. E em Paris, o sistema de saúde oferece até babá. Já nos EUA, hospitais dispensam nas ruas doentes mentais cujo plano já não cobre o tratamento. Mas Bush ainda é o maior alvo de ataques. Mas uma pergunta fica no ar. Após as eleições presidenciais, qual será o novo alvo do documentarista?



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