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Quinta-feira, 6 março de 2008   edições anteriores
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  Nascidos há 10 mil anos atrás

Em ‘10.000 A.C.’, Roland Emmerich cria uma história de amor na época da construção das pirâmides do Egito

Franthiesco Ballerini, franthiesco.ballerini@grupoestado.com.br

Roland Emmerich já trouxe alienígenas para a Terra (Independence Day), viajou para o passado para contar a saga de um herói na independência dos EUA (O Patriota) e rumou para um futuro próximo, quando todo o hemisfério norte é congelado (O Dia Depois de Amanhã). Agora, o diretor destes arrasa-quarteirões regride 12 mil anos na história da humanidade para contar a saga de tribos primitivas no filme 10.000 A.C, que estréia amanhã.

Como a escrita surgiu milhares de anos depois, Emmerich teve apenas alguns rabiscos em grutas e descobertas arqueológicas para dar um toque histórico em um filme completamente ficcional. O diretor criou uma tribo caçadora de mamutes, que mora numa região montanhosa e gelada da África, para contar a história de amor entre D’Leh (Steven Strait) e Evolet, interpretada pela atriz Camilla Belle, filha de brasileiros. Quando ela e seu povo são seqüestrados por guerreiros de outras regiões, D’Leh inicia uma saga rumo à libertação dos mesmos, passando por tribos africanas até desembocar na maior civilização antiga da história, cujos escravos estavam construindo imensas pirâmides para seus deuses na região que hoje se chama Egito.

Emmerich e o produtor executivo Harald Kloser viajaram para Nova Zelândia, África do Sul e Namíbia em busca de idéias para compor uma saga de um herói num tempo remoto. Estudou o movimento de elefantes, tigres e avestruzes para criar por computador os predadores da antiguidade: mamutes, tigres dente-de-sabre e pássaros gigantes e carnívoros. “O mais difícil para nós, atores, foi rodar nas montanhas geladas da Nova Zelândia. Isso porque a tribo à qual pertencíamos usa poucas roupas. Um resfriado forte foi inevitável para todos nós”, contou Camilla Belle ao JT, no lançamento do filme no Brasil. “Já trabalhei com Daniel Day-Lewis, Alfonso Cuarón e outros mestres. Mas protagonizar um blockbuster como este me deu um frio na barriga enorme”, completou.

Rumo às pirâmides

Orçado em US$ 75 milhões, 10.000 A.C. está chegando às telas praticamente ao mesmo tempo no mundo inteiro. É difícil prever seu êxito de bilheteria. Embora por trás haja um diretor gabaritado, a produção segue o estilo Apocalypto, de Mel Gibson, ou seja, uma trama ambientada em um período distante e pouco familiar pelos espectadores, razão que dificultou o sucesso deste último filme de Gibson.

Mas Emmerich é craque nas cenas de ação e garante bons momentos em 10.000 A.C., como a perseguição de um tigre dente-de-sabre, o ataque a um mamute e a chegada ao Egito, onde milhares de escravos trabalham nas pirâmides. “A Evolet é uma heroína sofrida, mas, ao mesmo tempo, uma mulher corajosa. Tivemos bastante liberdade para compor nossos papéis, até porque pouco sabemos daquela época”, comenta Camilla Belle, que em breve irá estrear em seu primeiro longa-metragem brasileiro, o filme À Deriva, do diretor Heitor Dhália.

A maior dificuldade da produção recaiu justamente na cena da chegada à região das pirâmides do Egito. As figurinistas Odile DicksMireaux e Renée April tiveram de vestir 800 figurantes com trajes de seis tribos diferentes, feitos à mão por um exército de costureiras.

Além da neve da Nova Zelândia e das florestas africanas, Emmerich rodou no deserto da Namíbia, próximo à região de Spitzkoppe, onde Stanley Kubrick filmou as seqüências pré-históricas do clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Naquela mesma área, foram reproduzidas réplicas das pirâmides do Egito, construídas em Munique e levadas para Namíbia em 15 contêineres marítimos.

O resultado é uma produção caprichada, que peca em alguns momentos por uma narrativa um tanto lenta, mas acerta em efeitos e na ousadia em regredir tantos anos na história da humanidade.

As próximas aventuras do diretor serão um épico-desastre chamado 2012 e o remake do clássico de Richard Fleischer, Viagem Fantástica.

DIVIRTA-SE
10.000 A.C.(10.000 BC, EUA/Nova Zelândia, 2007). Dir. Roland Emmerich. Rot. Roland Emmerich e Harald Kloser. Com Camilla Belle, Steven Strait e Cliff Curtis. Estréia amanhã.



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