| |
Cúmplices da mediocridade
Técnicos dos quatro grandes são vítimas da arbitragem e da pancadaria desenfreada e sem punição dos nanicos em seus atletas
Anda fácil a vida dos treinadores dos times pequenos no Campeonato Paulista. Deles não se cobram nada e ainda por cima têm a cumplicidade da arbitragem e mídia. Podem usar e abusar das retrancas, praticar o jogo feio e, ridículo, mandar seus jogadores baterem para valer nos atletas dos times grandes. A lei desses senhores é 'façam a falta, não deixem os melhores jogadores do time grande pegar na bola.'
E tome pancadaria. Uma, duas, três lambadas na canela do candidato a craque da temporada. Tudo bem. Os árbitros perdoam.
Não acontece nada.
Essa nova 'bíblia do futebol do Interior' tem sido aplicada a cada rodada. Semana passada, Dentinho e Lulinha, do Corinthians, apanharam o tempo todo dos jogadores do Bragantino. Havia um revezamento para bater nos meninos.
Sábado à noite, o réu foi Valdivia, outra vítima do revezamento dos botinudos. Levou tanta 'botinada' do pessoal do Rio Preto que parecia um 'João Bobo', aquele boneco que leva um safanão, cai e se levanta na mesma hora. Serrão, treinador do Rio Preto, não se conformava à beira do campo. Com gestos espalhafatosos, dizia que o chileno estava se jogando. E nada do árbitro dar um corretivo no treinador do Rio Preto.
Batendo nos destaques dos times grandes, os timinhos do Interior truncam o jogo e só começam a ser advertidos com cartões amarelos lá para o segundo tempo.
Enquanto isso, o jogo feio se alastra. Não fosse só pela pancadaria, os treinadores dos timinhos também têm o artifício da retranca contra Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians.
Invariavelmente armam seus esquemas com duas linhas: uma de quatro fechando a grande área e outra de cinco na intermediária. Isolam um pobre coitado de um atacante ali pelo grande círculo. E, pronto, travam o jogo.
Ninguém fala nada. Críticos especializados, imprensa, dirigentes de clubes e Federação, torcedores e profissionais da televisão que detém os direitos de transmissão não cobram desses treinadores uma postura diferente.
São cúmplices da mediocridade. O alvo preferido são os técnicos e jogadores dos grandes times. 'Eles ganham muito, os clubes têm estrutura e seus times não estão jogando nada', dizem a cada rodada.
E sobra para o 'Quarteto Fantástico' do Estado. Luxemburgo, Muricy, Leão e Mano Menezes, estrelas do Paulistão, pagam a conta.
Os quatro, a cada rodada, alertam para as mazelas da arbitragem que acarinha os treinadores dos timinhos e arrepia para cima do quarteto. Mano e Luxemburgo já foram expulsos. Mano livrou-se de um gancho de 120 dias. O mesmo não se pode garantir ao treinador do Palmeiras, expulso sábado no Palestra Itália. Muricy e Leão, a bola da vez.
Difícil ver um treinador dos times do Interior levado à barra dos tribunais da Federação Paulista de Futebol. Por quê?
No limite da ilusão
O Corinthians tirou o São Paulo do grupo dos quatro primeiros colocados do Campeonato Paulista ao vencer (1 a 0) a Ponte Preta ontem. O time chegou ao 10º jogo sem derrotas - nove no Estadual e um na Copa do Brasil. Tudo muito bonito, mas sem convencer ainda. O time do técnico Mano Menezes joga como os pequenos. Se defende com unhas e dentes e especula nos contra-ataques, com Lulinha e Dentinho. Vai na base do seu limite. A Fiel está sendo iludida.
Merecidas vaias
Vaias no Parque Antártica e no Morumbi, sábado e domingo. Merecidas. O Palmeiras, que estava na rampa de lançamento para encantar a torcida, voltou ao hangar para reparos depois de sofríveis empates contra os Rios Claro e Preto. E o São Paulo, aclamado como campeão, anda jogando um futebolzinho de doer. Erra o técnico Muricy Ramalho quando não reorganiza o time com Hernanes e Richarlyson voltando à posição de volantes. E erra Luxemburgo que ainda não encontrou uma função para Diego Souza.
Ancelotti falastrão
'Eu digo que ele tem uma grandíssima oportunidade, na desventura. Ele sempre foi considerado um pouco sem vontade e preguiçoso, talvez esta seja a ocasião para desmentir tudo e todos, talvez a si próprio!' As palavras são de Carlo Ancelotti, treinador do Milan, sobre o atacante Ronaldo. O técnico italiano perdeu uma grande chance de calar a boca.
|