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Quarta-feira, 20 fevereiro de 2008   edições anteriores
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  Russo: 'Não matei o Rafael Sperafico'

Piloto diz que o colega já estava morto quando os dois carros colidiram, em dezembro do ano passado, em Interlagos. E que a segurança é tratada com desleixo

ERICA AKIE, erica.akie@grupoestado.com.br

A pouco mais de um mês do início da temporada de 2008 da Stock Car, nenhum assunto está tão em alta na categoria quanto a segurança. Na última corrida de 2007 na Stock Car Light, em dezembro, um acidente na Curva do Café, em Interlagos, teve como vítima fatal Rafael Sperafico. Com a batida na barreira de pneus, seu carro voltou para a pista e foi atingido pelo adversário de número 62, de Renato Russo. O campeonato começa dia 13 de abril - novamente em Interlagos.

Russo ficou dois meses sem falar com a imprensa, mas recebeu a reportagem do JT com exclusividade na oficina de sua equipe, a ATW. Revelou que cogitou parar de correr quando pensou que tivesse matado Sperafico. Mas diz que se sentiu aliviado ao ter acesso ao laudo da necropsia, que apontou a morte de Rafael no primeiro impacto e não no segundo, como foi informado.

'Quando eu estava na UTI, um amigo da família do Cristiano Federico (dono da equipe ATW)teve acesso ao laudo da necropsia. Dizia que a causa da morte foi depois do primeiro impacto, quando o carro ricocheteou. O Rafael estava sem o hans (apoio para a cabeça obrigatório a partir deste ano) e teve uma luxação no pescoço. Quando eu bati no carro dele, ele já estava morto. Se ainda estivesse vivo, certamente teria morrido com a minha batida', explica o piloto, que perdeu 30 cm do intestino delgado no acidente.

Russo aproveitou a conversa para disparar contra a falta de fiscalização da Confederação Brasileira de Automobilismo quanto ao uso de equipamentos de segurança. 'No Brasil, começa tudo errado a partir da política. O exemplo é seguido no esporte. Na Europa, em qualquer batida, a primeira coisa que os comissários de prova fazem quando o piloto sai do carro é cortar a cinta do capacete, para não usar mais. Aqui no Brasil não tem isso. Tem cara que usa o capacete por 10 anos e ninguém faz nada. A luva não é antichama, a camiseta de baixo é normal e deveria ser antichama. O pessoal parece não ter muito interesse na segurança - que não é vigiada. Não tem um comissário para avaliar isso. A maioria pensa: 'Nunca vai acontecer comigo'', critica.

O piloto também cobra exame antidoping na categoria. 'Desde o ano passado, o Dino Altmann (médico responsável pela Stock) está insistindo, mas a CBA não faz nada. Quando usa certas substâncias, o cara perde totalmente os reflexos. E aí saem as porradas perigosas. Depois falam que perderam controle, que houve falha no carro. Tem piloto que bebe uísque antes da largada. Tem gente que fuma maconha, que cheira... E faz tempo.'

Russo também não poupou críticas à falta de preparo físico de alguns companheiros de trabalho. 'Tem os caras que pesam mais de 120 kg. Como um cara desse vai ter agilidade? Todo mundo sabe que uma pessoa obesa, dependendo do esforço que fizer, pode dar uma apagada. Ou então vai ficar cansada e fazer 'burrada'', aponta.

Quanto à estrutura dos carros da Stock, Russo diz: 'O carro é seguro. Batemos a 192 km/h. Nos cálculos, o impacto da pancada foi de cinco toneladas. Meu carro sofreu só do lado direito, mas por infelicidade pegou bem no meio do carro do Rafael. Mas os carros não tinham duas barras que foram colocadas no lado do piloto para este ano.'

Sobre Interlagos, ele conclui. 'O que está errado é o muro da Curva do Café. Ali na saída da Junção, sentido ao Café, o muro abre totalmente para o lado direito e ele só se junta na saída da curva do café, que é bem na quina onde o Rafael bateu.'



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