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Super-heróis nacionais pelos poderes da web
Na luta contra o monopólio dos quadrinhos internacionais, o site ‘Super HQ’ oferece espaço para heróis brasileiros. Para baixar as histórias, o internauta paga o quanto quiser
Gilberto Amendola, gilberto.amendola@grupoestado.com.br
Quando a banda inglesa Radiohead convidou seus fãs a pagarem o quanto quisessem pelo download do último álbum do grupo, o In Rainbows, iniciou-se uma revolução: a relação dos artistas com os meios de divulgação e com o próprio público parecia estar na iminência de sofrer uma mudança radical. No Brasil, o ‘efeito Radiohead’ pode ser constatado no mundo das Histórias em Quadrinhos.
No site Super HQ(www.superhq.com.br), criado pelo editor Daniel Vardi, 35 anos, o leitor encontra histórias inéditas e personagens nacionais para download. A forma de navegação virtual é parecida com aquela proposta pela turma de Tom York. O interessado pode baixar os quadrinhos gratuitamente e, no caso de resolver desembolsar algum dinheiro, o valor é repartido na proporção de 30% para o site Super HQ e 70% para os autores.
A quantia deve ser depositada na conta da editora de Verdi - para que o autor receba sua parte, o comprador deve enviar por e-mail (hq@superhq.com.br) o nome da HQ que baixou. “Quando li sobre a forma como o Radiohead estava divulgando o disco tive a idéia do site. No caso de uma banda de rock do tamanho deles é mais fácil, mas resolvi plantar a semente. Apesar do pouco tempo, já teve leitor que pagou. São valores inexpressivos, mas é um começo”, comenta Vardi.
O Super HQ está no ar há menos de 15 dias. Para Vardi, o quadrinho nacional sofre com o preconceito por parte dos distribuidores. “Também acho que lugar de HQ é na banca, mas é difícil colocar um produto nacional na rua. Os distribuidores dizem que super-herói brasileiro não vende, que não pode aparecer alguém voando sobre a Paulista. Só tem espaço para Super-Homem, Batman...”
A internet tornou-se a opção mais viável para os autores nacionais. “Quero criar personagens e histórias específicos para a net. Além disso, penso em licenciar produtos, brinquedos e camisetas com os personagens. Acho que o mundo virtual vai me abrir portas para novas parcerias”, aposta Vardi.
Atualmente, o Super HQ já hospeda histórias de Tristão, um herói marcado pela morte de sua amada, além das aventuras de Homem-Grilo, Paladino, Marko e outros. Em breve, estréias na web os quadrinhos de Toninho do Diabo e de um herói criado pelo próprio Vardi, o Amanhecer. No domínio do site, a única proibição é a venda do material impresso. “Ainda não penso em ganhar dinheiro com o site. Acho que agora é uma fase de divulgação e descoberta de novos talentos”.
Os roteiristas e desenhistas de HQ podem mandar um e-mail para o site (hq@superhq.com.br) e enviar seu próprio material. “Meu ritmo de atualização ainda é lento, mas acredito que em pouco tempo o site terá quadrinhos inéditos todos os dias”, diz Vardi.
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