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Quinta-feira, 24 janeiro de 2008   edições anteriores
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  O pré-Carnaval da Orquestra

Banda formada pela nova geração de músicos cariocas vem a São Paulo para fazer a festa com um baile à fantasia, espécie de aquecimento para a folia da semana que vem

Marco Bezzi, marco.bezzi@grupoestado.com.br

Dá pinta de virar tradição. Assim como os pré-Carnavais que são detonados todo ano em São Paulo por nomes como Banda Eva, Babado Novo e Asa de Águia, a Orquestra Imperial abre seu guarda-roupas e vem a São Paulo para fazer seu tradicional baile à fantasia. Pela primeira vez em São Paulo, a festa já acontece desde 2003 no Rio de Janeiro. Lá, público e banda dialogam tanto no som como nas fantasias.

“Nos esforçamos para ir fantasiados e também para que o público vá caracterizado. Isso valoriza o baile”, fala Kassin, um dos 19 integrantes da Orquestra e o produtor de mão cheia da trupe (o carioca já arquitetou o som de Los Hermanos, Vanessa da Mata, Caetano Veloso, entre outros).

Durante a festa, haverá sorteio de brindes e premiações para as fantasias mais originais, porém, o traje não é obrigatório. “A idéia de ser fantasia valoriza muito o ambiente”. Se o negócio é dançar, o repertório do bailão será voltado às marchinhas, sambas e boleros, transformando o Tom Brasil numa espécie de baile de gafieira - exatamente como a banda nasceu em 2002. “Gostamos quando o show vira um baile, não um show. Não queremos ninguém parado”, avisa Kassin.

Desta vez, as versões - que no show do ano passado em São Paulo responderam por Eye of the Tiger, da trilha de Rocky, e Owner of a Lonely Heart, do grupo Yes - serão de Stairway To Heaven, do Led Zeppelin, e Sultans of Swing, do Dire Straits.

Para anabolizar os foliões, o DJ Marlboro será o convidado. O músico tocará na abertura e nos intervalos, destilando seu set de funk carioca. “O Marlboro sempre foi o nosso DJ. Por vários motivos”, fala Kassin. “Primeiro que adoramos o som que ele põe. Segundo porque percebemos que no Rio, a partir de um certo momento, se iniciou um movimento resgatista do Carnaval, coisa que a gente sempre passou muito longe. O Marlboro é o que a gafieira era nos anos 1950. Ele faz o que as orquestras faziam na época.”

Brincadeira de amigos

Quando surgiu, em 2002, tudo não passava de um desejo de amigos em comum: formar uma típica orquestra de gafieira. A idéia era interpretar um repertório variado, boleros, temas dos anos 60 e os clássicos da cultura de salão, com novos arranjos. Dentro do grupo, expoentes da nova geração de músicos cariocas: além de Kassin, Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Pedro Sá (Caetano Veloso), Thalma de Freitas, Nina Becker e veteranos como o baterista Wilson das Neves.

“A idéia inicial era que durasse quatro segundas-feiras. Nas três primeiras tinha mais gente no palco do que na platéia. A quarta lotou e decidimos fazer mais um mês”, relembra Kassin. “Juntar todo mundo é muito difícil. Sempre acho uma sorte conseguir reunir essa turma toda e viajar pra São Paulo e pra Recife, por exemplo. Já chegou mais longe do que eu imaginei.”

Especialmente pelo número de integrantes no palco (19) - que somados a empresários e técnicos somam 25 na boléia de um “caminhão”-, a Orquestra sempre será um hobbie para seus 19 sócios. “Mesmo quando nos pagam muito bem, qualquer show da nossa carreira solo rende mais dinheiro. Nos mantemos unidos porque nos divertimos. Pelo dinheiro já teríamos desistido”, explica Kassin.

Enquanto falava com o JT por telefone, do Rio de Janeiro, Kassin finalizava mais um de seus inúmeros projetos. Desta vez, nada relacionado a MPB, e sim à animação. O músico finalizava uma trilha sonora para uma animação japonesa (Michiko e Hatchin). O músico foi recrutado pelo desenho, pois a aventura será retratada em um futuro latino. BNegão, Wilson das Neves e Thalma de Freitas foram cooptados para o projeto. “Quero colocar esses temas no palco”, avisa.

Além disso, só neste ano finalizou um disco com Adriana Calcanhotto, começará a gravar um CD do projeto Kassin + 2 e ainda produzirá uma união entre ele e o músico Sean O’Hagan, integrante do The High Llamas, até o meio do ano.


DIVIRTA-SE

Baile à fantasia da Orquestra Imperial. Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1281, 2163- 2000. Hoje, às22h. De R$ 50 (pista) a R$ 100. Abertura: DJ Marlboro.



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