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Maracanã com 70 mil pessoas. Nada é por acaso
O Police pode não ter a amizade entre seus integrantes como ponto forte. Mas o show de sábado, no Rio de Janeiro, provou para eles mesmos: um nasceu para o outro
Diogo Salles e Julio Maria
Vinte e cinco anos depois, o The Police voltou ao Brasil e empolgou o Maracanã na noite de sábado com um espetáculo nostálgico. O estádio foi tomado por 70 mil pessoas e coberto pelo cheiro constante e indefectível da fumaça politicamente incorreta. A produção suntuosa, com telões de alta definição e um som perfeito, era de dar inveja a Bono Vox, do U2, e já entregava porque esta turnê é a mais lucrativa do ano de 2007.
O público - predominantemente de 30 anos para cima - viu uma banda coesa mostrar seu rock com influências de reggae, punk e ska. A entrada apoteótica de Message in a Bottle era o prenúncio de uma grande noite e o que se viu a seguir foi um desfile de hits que atravessou gerações e resistem ao tempo.
O baterista Stewart Copeland (o único verdadeiro virtuoso da banda) continua incandescente com suas quebras de compassos. Andy Summers, o guitarrista, já um senhor de 64 anos, continua prezando a estética, o timbre e as sofisticadas texturas que saem de sua guitarra. Sting segue com o pleno domínio do palco. A comunicação com a platéia foi facilitada pelo português aprendido em sua fase Raoni-Amazônia, que começou com um ‘Que saudade do Brasil’. Dali em diante, ele não economizou, mesmo que carregado de sotaque. “Aqui há 70 mil pessoas. Quero ver então as 140 mil mãos de vocês.”
Embora seus vocais ainda estejam em forma, ele sabe que não atinge os mesmos agudos de 25 anos atrás, o que o obrigou a descer o tom e desacelerar o ritmo em músicas como Wrapped around your finger e Next to you, frustrando algumas expectativas. A ausência de teclados até poderia prejudicar as performances de Every little thing she does is magic e King of Pain, mas não foi sentida e a platéia acompanhou cada nota tornando esses momentos alguns dos pontos altos do show, ao lado de Roxanne e Every breath you take, os maiores hits do grupo.
Sting provavelmente não abrirá mão de sua bem sucedida carreira solo, mas soube reconhecer que a fase com o Police foi o seu auge e presenteou multidões espalhadas pelo mundo com esta turnê, que promete ser a última da carreira do grupo. Quem esteve lá, garante ter visto um show inesquecível. Quem não foi, ainda terá uma última chance com o provável lançamento de um DVD.
No sofá de casa
O canal a cabo Multishow mostrou a performance do Police com o atraso de uma hora em relação ao início da apresentação. Apesar de um áudio prejudicado, deu para perceber nuances que podem ter passado despercebido ao vivo. Sting desafinou quando teve de subir às alturas dos tons que os anos 80 e a juventude lhe permitiam. E o clima no palco era apenas profissional. Sting, Summer e Copland pouco se olham, pouco se falam, pouco sorriem. A energia, no entanto, estava lá o tempo todo.
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