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Sexta-feira, 27 julho de 2007   edições anteriores
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  Dono de hotel critica Kassab

Oscar Maroni afirma que obra, a 500 metros do aeroporto de Congonhas, está de acordo com as normas em vigor

FELIPE GRANDIN, felipe.grandin@grupoestado.com.br

Na caça aos imóveis irregulares ao redor de Congonhas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) enfrentou um protesto diferente ontem ao interditar as obras do Oscar’s Hotel, a 500 metros do aeroporto. O dono do edifício, Oscar Maroni Filho, chegou em seu carro Mercedes-Benz, colocou a cadelinha Docinho no teto e protestou contra a interdição com um alto-falante. “Estou servindo de bode expiatório, de trampolim político”, disse.

A Prefeitura fechou a entrada do edifício com tapumes e blocos de concreto e informou que pedirá na Justiça a demolição do prédio. A decisão foi tomada após pilotos denunciarem que a construção do prédio, a 500 metros de Congonhas, reduziu a pista do aeroporto. “Há várias irregularidades”, disse Kassab, enquanto Maroni, que tem uma marca de bebidas energéticas, oferecia uma latinha ao prefeito.

Um dos problemas é que a altura do edifício é 2,65 metros maior que a autorizada, de 47 metros, segundo portaria do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Aeronáutica, publicada na terça-feira, no Diário Oficial da União. “A lei existe para ser cumprida nos centímetros”, disse o prefeito. Na lista, há construções com 60 metros a mais e que não foram interditadas.

Segundo Kassab, o empresário também teria apresentado dois projetos diferentes. Para a Prefeitura, o de um prédio residencial, e para a Aeronáutica, o de um edifício de salas comerciais. No fim, acabou construindo um hotel, o que não seria permitido. “O principal motivo da interdição é a fraude nos projetos”, afirmou Kassab.

“Não me chame de vagabundo! Sou trabalhador”, reclamou Oscar a um metro do prefeito. A manifestação lembrou o episódio de fevereiro, quando o prefeito chamou de vagabundo um homem que reclamava da falta de atendimento numa unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA). Kassab, que não conversou com o empresário nem o chamou de vagabundo, disse que não ouviu os protestos. O primeiro projeto de construção do hotel foi enviado à Aeronáutica em 1999. Previa a instalação de um prédio de flats, mas foi negado porque a lei de zoneamento não permite a instalação de edifícios residenciais na área. Foi enviado outro projeto, de um edifício comercial, aprovado em 2000. Em 2003, com as obras em andamento, entrou com pedido de anistia na Prefeitura para fazer um hotel e ampliar a área. O pedido foi negado duas vezes.

Em 2005, recorreu pela última vez e o processo ficou paradona Secretaria Municipal de Habitação. Só hoje foi encaminhado para a Secretaria Municipal de Governo. “Será publicada amanhã a anulação do processo”disse o secretário Municipal de Habitação, Orlando Almeida, que participou da interdição. A Prefeitura e a Aeronáutica não explicam por que a obra não foi interditada antes.

Maroni nega ter fraudado os documentos. Diz que a Prefeitura mediu o prédio no sábado e confirmou os 46 metros. Ele, que diz ter investido US$ 30 milhões no hotel de 220 apartamentos, mostrou a autorização da Aeronáutica para construir.

PERFIL - OSCAR MARONI, empresário

Não é de hoje que Oscar Maroni Filho provoca polêmica. Ele é dono da Boate Bahamas, freqüentada por garotas de programa e uma das mais caras da Cidade. O “rei do entretenimento adulto de São Paulo”, como diz, já respondeu a cinco processos e foi preso três vezes, acusado de explorar a prostituição. “Pode ser imoral, mas é legal”, diz, ao lado da inseparável cadela Docinho. “Ela dorme do lado da minha cama.”

Aos 51 anos, com 4 filhos, ele diz ser um homem de família. Além da boate, tem uma fazenda, uma fábrica de energéticos e uma promotora de lutas de vale-tudo.



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