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Buscas encerradas
Bombeiros fizeram última varredura no prédio da TAM
ADRIANA CARRANCA, adriana.carranca@grupoestado.com.br
'Sabe a Guernica, de Pablo Picasso? Foi aquela imagem do terror que me veio à mente. Foi aquilo que eu vi na minha frente quando entrei pela primeira vez nesse prédio', relata o tenente Marcos Palumbo, de 32 anos, ao acompanhar a reportagem do JT ao interior do prédio de três andares contra o qual explodiu o Airbus A320 da TAM, no dia 17, matando 199 pessoas. 'Foram dias muito intensos e muito tristes. Pela grandiosidade da tragédia, pela situação repentina, pelo número de vidas que se perderam aqui', resume o bombeiro, sobre os momentos do maior trabalho de resgate de sua carreira.
Em dez dias, o saldo da maior tragédia brasileira somou 14 pessoas retiradas com vida (das quais, quatro morreram posteriormente), oito corpos de funcionários que trabalhavam no prédio da TAM Express encontrados e 220 sacolas com fragmentos humanos de passageiros do vôo JJ 3054 retirados dos escombros. As duas últimas, na madrugada de ontem. Traziam fragmentos da cabine dos pilotos, à qual os bombeiros só tiveram acesso há dois dias, após serem feitas três perfurações na laje do terceiro piso que ruiu com a colisão e pressionava os restos da dianteira da aeronave contra o piso inferior. Até a noite, as equipes realizavam uma última varredura no local. Os trabalhos seriam encerrados nesta manhã.
'Não acreditamos mais na possibilidade de encontrar corpos. Acessamos por completo a parte final da cabine, o local de mais difícil acesso, onde só pudemos encontrar pequenos fragmentos. A cabine se desintegrou. Estamos retirando o entulho para dar mais visibilidade ao local e ter certeza de que nada foi deixado para traz. Mas, nosso trabalho está prestes a terminar', confirmou o capitão Mauro Lopes. Ontem, 15 bombeiros ainda vasculhavam o local, com maior risco de desabamento, sob o comando do capitão Valdir Pavão, 41 anos, bombeiro há 18 e especialista em Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC). 'O mais difícil foram os primeiros minutos, porque tinham pessoas a serem salvas', disse o capitão Mauro Lopes. O último simulado dos bombeiros foi realizado no ano passado era com acidente aéreo. 'Uma triste coincidência.'
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