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Crianças protestam para salvar a escola
Local onde funciona o colégio será novo prédio da Pinacoteca
THALITA PIRES, thalita.pires@grupoestado.com.br
Natália Abreu estuda na primeira série do ensino fundamental na Escola Estadual Prudente de Moraes, no Centro da Capital. Ela tem apenas 7 anos e ainda está aprendendo a escrever, mas já sabe bem o que quer da vida. 'Vou ser professora de educação física', garante.
Ela sabe também que, para atingir o objetivo, estudar é fundamental. Tão importante que ontem não se importou em perder o primeiro dia de férias para pedir, em passeata, que a escola, onde estudam 1.842 alunos, não seja fechada.
Durante cerca de uma hora, Natália e seus colegas gritaram a plenos pulmões 'queremos estudar!', 'queremos nossa escola!' e 'Prudente! Prudente!'. 'A gente achou super-hiper-ruim a escola ser fechada', disse a garota. 'Eu não queria perder a escola, senão quando a gente crescer não vai saber nada.'
O protesto, organizado por pais de alunos da Prudente de Moraes, tinha como objetivo pressionar a Secretaria Estadual da Educação a não fechar o colégio. A passeata saiu da frente da escola, na Avenida Tiradentes, e terminou na coordenadoria de ensino da região metropolitana, no Largo do Arouche.
Segundo a Secretaria Estadual da Cultura, o espaço onde funciona a escola deve ser ocupado por parte do acervo da Pinacoteca do Estado, que fica no terreno ao lado. 'Lá será o novo prédio do museu', afirmou Ronaldo Bianchi, secretário-adjunto de Cultura .
A mudança, no entanto, ainda deve demorar. 'Mas só vamos mexer no prédio no momento em que a nova escola estiver pronta para abrigar os alunos. É um compromisso com os pais', garantiu Bianchi.
A intenção é iniciar as obras de adaptação do novo prédio do museu no ano que vem. 'Mas isso depende do orçamento estadual', explicou Bianchi. Segundo ele, o novo endereço da escola ainda não está definido, mas deverá ser a poucos metros do endereço atual.
A resposta da Secretaria da Educação, no entanto, foi diferente. Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria afirmou que 'não existe nenhuma expectativa ou previsão de fechamento de escolas' .
Os pais e alunos ficaram sabendo da história por meio da imprensa. 'Ouvimos que a escola vai ser fechada, mas ninguém avisou aqui', disse uma professora, que não quis se identificar por medo de punições.
Os pais ficaram revoltados com a notícia. 'Acho uma falta de respeito. Em primeiro lugar tem de vir a educação. Como querem cultura sem educação?', pergunta Vera Lucia Barbosa, mãe de dois alunos.
Uma comissão formada por pais, professores e parlamentares foi recebida para uma reunião com o coordenador de ensino da Grande São Paulo, Luiz Candido Rodrigues. A promessa aos pais foi uma resposta oficial sobre o destino do prédio em dez dias.
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