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Mãe indiciada por abandonar bebê na rua
GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br
Era uma madrugada fria. Os termômetros marcavam 13 graus no Bom Retiro, região central de São Paulo. Por volta das 3h de ontem, o policial militar Ricardo Augusto de Oliveira Sackl realizava sua ronda habitual. Ao se aproximar da Rua Porto Calvo, esquina com a Rua Porto Seguro, ele foi surpreendido por um som estridente. Embaixo de um poste de luz, um bebê chorava.
A criança, de cerca de 3 meses, enrolada em um xale amarelo e vestindo macacão e blusa, tinha sido abandonada no local. 'Sou pai também. Quando olhei aquela criança ali no chão da rua, fiquei bastante chocado', contou o policial. O bebê foi levado para o Hospital e Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros.
Horas depois, Franciane Alves, 26 anos, moradora do albergue Oficina Boracea, na Barra Funda, foi à delegacia. Com certidão de nascimento em mãos, ela disse que o menino encontrado na rua era seu filho, Daniel. A história de Franciane tem duas versões. Por volta das 6h30, ela teria entrado em contado com o serviço de 190 da PM para informar que havia deixado seu filho com uma moça desconhecida para ir à bilheteria da estação Armênia, às 23h30 de anteontem. Na volta, ela não teria mais encontrado a mulher e seu filho.
O problema é que no DP, Franciane mudou a história. Ela relatou que teria deixado seu filho com um conhecido, apelidado de Bahia, enquanto ia comprar um bilhete no metrô Armênia. Ao retornar, ela não encontrou mais ninguém. Nessa versão, Franciane teria saído pelas ruas do Bom Retiro atrás da criança. Bahia foi encontrado por ela ainda na região, na frente da Igreja Santuário das Almas. O homem, que também é morador de albergue, contou que policiais teriam levado a criança. Ainda na delegacia, Franciane fez questão de dizer que nunca pensou em abandonar o seu filho - e que só o teria deixando aos cuidados de um conhecido porque estava 'com duas sacolas pesadas'. As contradições de Franciane fizeram com que ela fosse indiciada por abandono de incapaz. O bebê Daniel será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude. Um juiz irá decidir se Franciane tem condições ou não de cuidar dele.
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