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80% dos bares vendem bebida para menor
Pesquisa da Unifesp mostra que jovens entre 13 e 17 anos não têm dificuldade para comprar bebida alcoólica em bar, mesmo depois de revelar a idade ao vendedor
Emilio Sant’anna, geral@jt.com.br
Apesar de proibido por lei, adolescentes de 13 a 17 anos não encontram dificuldade para comprar bebida alcoólica. É o que mostra pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo acompanhou jovens, com idades entre 13 e 17 anos, em tentativas de comprar bebidas em uma amostra aleatória de estabelecimentos comerciais nas cidades de Paulínia e Diadema, no Estado de São Paulo. Em mais de 80% dos locais, os adolescentes conseguiram comprar algum tipo de bebida alcoólica.
Foram analisados bares, restaurantes, padarias e supermercados, entre outros tipos de estabelecimentos. Nesses locais, os adolescentes foram orientados a não mentir sobre sua idade quando questionados e a dizer que a bebida era para consumo próprio. Mesmo assim, na maioria dos casos não encontraram resistência. Em Paulínia, região de Campinas, 85,2% dos estabelecimento não criaram nenhum obstáculo à venda. Em Diadema, na Grande São Paulo, a porcentagem foi menor: 82,4%.
No Brasil, a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos é proibida pelo artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) e pela Lei das Contravenções Penais, artigo 63. Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do estudo, a facilidade com que a lei foi ignorada revela o sentimento de impunidade dos comerciantes.“Ninguém que vende álcool para menores de idade acredita que será fiscalizado”, diz.
Apesar de a pesquisa ter sido feita em apenas duas cidades, Laranjeira não acredita que existam diferenças em outros lugares. “A lógica da falta de controle (na venda) e a sensação de impunidade são as mesmas”, afirma. Em todos os casos em que os adolescentes não conseguiram comprar as bebidas, os comerciantes questionaram suas idades. Nas duas cidades, no entanto, houve quem questionasse a idade e mesmo assim fizesse a venda.
A adolescente G.N., 16 anos, afirma que nunca teve problemas para comprar bebida. Há pouco mais de um ano, tomou sua primeira cerveja com os amigos em um bar de São Paulo. Nesse período, nunca teve de mostrar sua identidade em nenhum lugar. “Já fiquei bêbada, mas quando vejo que vou passar mal eu paro”, diz. “Nunca dei ‘PT’ (perda total, gíria para embriaguez).”
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