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Estudo mostra efeitos do contador de histórias
Psicóloga analisou 24 crianças com câncer na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e comprovou benefícios da atividade lúdica
Luanda Nera, luanda.nera@grupoestado.com.br
Não deve ser difícil acreditar que a atuação de contadores de histórias em alas infantis de internação hospitalar é positiva, melhora o bem-estar das crianças e provoca momentos de alívio. A novidade agora é que tais benefícios foram comprovados por um estudo inédito.
A psicóloga Cláudia Mussa, orientada pela professora Fani Malerbi, da PUC-SP, avaliou o impacto da atividade lúdica dos contadores de histórias da Associação Viva e Deixe Viver sobre o comportamento de crianças hospitalizadas. Participaram da pesquisa 24 crianças com câncer, internadas na Pediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e seus responsáveis.
O estudo comprovou um aumento da interação das crianças com os pais, com outras crianças internadas e até com os profissionais de saúde. Os pacientes também passaram a se movimentar mais pela enfermaria do hospital, aceitaram mais facilmente a alimentação e afirmaram estar mais alegre e com menos dor.
“Há diversos estudos sobre a má influência do estresse na saúde das pessoas. Mas o inverso não é estudado. Eu sempre quis investigar como as emoções ajudam a melhorar o estado de saúde, seja na prevenção, seja na recuperação”, justifica a psicóloga.
Segundo ela, o estudo foi importante para desmistificar a idéia de que o trabalho dos contadores de histórias é simplesmente “bonito”, que é uma questão de “fazer o bem”. E conta, emocionada, o caso de um dos meninos avaliados: “Por causa da quimioterapia, ele tinha muito enjôo e não queria comer, não pedia lanche, não tinha vontade de nada. E um dia, depois de ouvir atentamente uma das histórias contadas pelos voluntários, ele se animou e pediu um copo de leite. Para todos nós foi uma vitória.”
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