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Eles vão querer o seu voto
O Horário Eleitoral Gratuito, nas eleições de 2008, terá velhos conhecidos do povo. De Gretchen a Rafael Ilha, eles já pensam em suas campanhas
IVY FARIAS, ivy.farias@grupoestado.com.br
O caminho que vai da fama ao palanque nunca foi tão curto. Depois que Vossa Excelência o deputado federal Clodovil Hernandes prometeu (e cumpriu) ser eleito por uma ‘votação esmagadora’, abriu-se uma porteira da qual não pára mais de sair celebridade com vontade de fazer justiça com as próprias leis.
Na esteira do ‘Brasília que se cuide’, proclamado por Clodovil antes de ser conduzido ao poder por quase meio milhão de votos, veja quem vem aí para defender as vontades do cidadão brasileiro: a cantora Gretchen sairá candidata a prefeita em Itamaracá, litoral de Pernambuco, pelo Partido Popular Socialista (PPS). A atriz Rita Cadillac estuda firme para ser vereadora pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em Praia Grande, São Paulo. O estilista Ronaldo Ésper afina o discurso para chegar a ser vereador, em 2008, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). E até Rafael Ilha, ex-integrante do grupo Polegar que ganhou as manchetes policiais anos atrás por seu envolvimento com drogas, confirma estar filiado ao mesmo PTB para ser colega de Ésper. “Não sou capaz de fazer nada só, mas vou contar com amigos do partido.”
O PTB, por sinal, tem sido a casa dos artistas no universo político. São ao todo 40 pelo Brasil, segundo o presidente da legenda em São Paulo, deputado estadual Campos Machado. “Se até o papa acolheu o Henry Sobel, por que eu não posso abrir as portas para o Ronaldo Ésper?”, conclui. O curioso é que o partido de Roberto Jefferson chegou a fazer uma campanha no fim de maio justamente para atrair gente graúda do meio artístico.
Nem de direita, nem de esquerda, nem de centro. Não é sempre que uma celebridade tem com clareza o caminho a seguir no mundo político. A ex-vedete e jurada do Programa Raul Gil, Marly Marley, recém-filiada ao PTB, conversa com o partido para saber se vai se candidatar ou não. O fato é que ela não resistiu ao convite para ingressar nas fileiras do trabalhismo getulista que deu origem ao, de novo, PTB. “Quero dar trabalho para o povo e defender os direitos dos idosos e dos homossexuais.”
O professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Vidal Serrano, fica preocupado com a migração: “Uma pessoa sem uma linha de pensamento político consistente pode criar leis injustas e mal elaboradas. Assim, o Parlamento fica desequilibrado e exerce mal sua função, que é a de legislar”. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) não vê problemas em celebridades, mas avisa: “Qualquer um pode ser político, desde que bem intencionado”.
Rita Cadillac, convicta, continuará com o nome de guerra. “Se anuncio Rita de Cássia, as pessoas perguntam: ‘Quem é essa doida?’”
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