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Quarta-feira, 13 junho de 2007   edições anteriores
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  São Paulo no limite do ar seco

Ontem, a umidade do ar ficou abaixo dos 30% previstos pela OMS

FERNANDA ARANDA, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

A respiração fica difícil, os olhos ardem, a pele fica seca e os prontos-socorros lotam de pacientes. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), não há previsão de melhora pelo menos até o final da semana, ou seja, os problemas provocados pela falta de chuva associada à poluição vão continuar. Ontem, todas as 10 estações de medição da umidade do ar da Capital registraram índices abaixo dos 30%, limite mínimo fixado pela Organização Mundial de Saúde para não provocar danos à saúde. A região de Ermelino Matarazzo, Zona Leste, foi a que registrou menor marca, com 20% de umidade.

Segundo o CGE, a principal responsável pelo clima de deserto na Cidade é a massa de ar seco que dominou toda a região Sudeste do Brasil. “A massa inibe a formação de nuvens e as temperaturas se elevam mais rapidamente”, diz o meteorologista do CGE, Adílson Nazário.

“Um outro problema é que as frentes frias não conseguem ultrapassar essa barreira,que é reforçada pelos poluentes. Por enquanto, não há previsão de que a situação seja amenizada.”

A baixa umidade do ar também se reflete no movimento dos hospitais da Cidade, devido ao aumento de risco de crises respiratórias nesta época do ano. O pronto-socorro estadual da unidade infantil Darcy Vargas, Zona Sul,por exemplo, registrou acréscimo de 40%. Nos últimos dois dias, os 100 atendimentos diários, referentes apenas às doenças respiratórias, passaram para 140 consultas por dia.

“Com a falta de umidade, a defesa das mucosas nasais fica muito prejudicada. Isso facilita a entrada de vírus e bactérias, que não são barrados pelo organismo”, afirmou o diretor do Darcy Vargas, Sérgio Saburro. “Quem já tem um quadro clínico frágil, como asma e bronquite, fica mais suscetível a desenvolver problemas. Em alguns casos, é necessário até mesmo a internação.”

Acostumado com as crises da filha sempre que a umidade relativa do ar fica baixa, o gerente de padaria Albino de Paiva Santos, 49 anos, já redobrou os cuidados.

“Minha filha tem 14 anos e desde pequena sofre de asma.” Santos tem levado a menina dia sim, dia não, ao hospital mais próximo de sua residência para fazer inalação. Além disso, para dar conta da saúde da adolescente, o gerente deixa a casa arejada, com as janelas abertas e toalhas úmidas no dormitório.

Na Guarapiranga

O tempo também tem afetado o trabalho dos velejadores paulistanos. Na Represa Guarapiranga, Zona Sul, o nível de água ficou mais baixo, deixando o lixo e os bolsões de areia mais evidentes. “De duas semanas para cá, a capacidade de armazenamento da represa está menor, a margem fica mais distante e precisamos levar as embarcações de carro até as águas”, disse o coordenador da Escola de Velas Pêra Náutica, Agnaldo Gonçalves. “Sem contar que a concentração de sujeira é maior.”

De acordo com a Sabesp, a capacidade de armazenamento da Guarapiranga está em 63%, considerado ideal e, por enquanto, não há risco de racionamento de água.

OS PRINCIPAIS DANOS

Idosos, crianças e portadores de doenças crônicas do pulmão são mais sensíveis às doenças causadas pela má qualidade do ar

O ar seco provoca aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares

Asma, alergia e bronquite são as mais comuns. Os principais sintomas associados ao ar seco são ressecamento das mucosas das narinas e coceira na garganta


Colaborou Gabriela Gasparin



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