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Quarta-feira, 13 junho de 2007   edições anteriores
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  Grafiteiros brigam para reabrir rua 'privatizada'

Travessa Alex Vallauri, que homenageia grafiteiro, foi fechada por família dona de restaurantes

GILBERTO AMENDOLA e DINA AMENDOLA

Há 20 anos, a Prefeitura reconhecia o valor do grafite e batizava uma rua sem saída, na Zona Sul, com o nome do maior representante brasileiro do gênero: Alex Vallauri (1949-1987). O gesto foi uma vitória para aqueles que sempre foram confundidos com meros pichadores ou até marginais.

Só que, a partir de 2002, a Travessa Alex Vallauri, localizada na altura do nº 834 da Rua Tabapuã, no Itaim-Bibi, foi sendo 'engolida'. É que a família Laham, dona do restaurante Jardim Aurélia, comprou as dez casinhas que existiam lá. Eles cimentaram tudo aquilo que fazia do lugar uma via pública: o chão de paralelepípedos, a guia e a sarjeta. No lugar, foram colocadas mesinhas, cadeiras e um portão para limitar o acesso. Hoje, a Travessa Alex Vallauri está totalmente 'privatizada'.

A Subprefeitura de Pinheiros e a Associação de Moradores do Itaim já tentaram retomar a Travessa. Mas os donos do restaurante obtiveram duas autorizações judiciais para o fechamento da rua. A partir daí, nada mais pôde ser feito.

Hoje, a partir das 14h, um grupo de grafiteiros vai tentar sensibilizar a opinião pública e os donos do restaurante. Em nome da memória de Vallauri, eles irão empunhar latas de spray e pintar um painel de protesto na frente da travessa. 'Não temos um tema definido. Quem for chegando, vai poder mandar o seu recado. Queremos prestar essa homenagem ao Vallauri', disse Osvaldo Junior, 35 anos, o popular grafiteiro Juneca. 'Eu gostaria que essa travessa fosse pública novamente. A gente poderia aproveitar e transformá-la em uma galeria de arte a céu aberto', completou Anna Carolina, grafiteira conhecida como Tikka.

A Associação de Moradores do Itaim-Bibi apóia o grupo. 'Deve ser a primeira vez que uma associação de bairro se une a grafiteiros. Nós queremos que a Travessa Alex Vallauri volte a ser uma via pública. Os proprietários não podem fechar o local', disse o presidente da associação Marco Antônio Castello Branco.

Alexandre Laham, proprietário do restaurante, não parece preocupado com as reclamações da associação e dos grafiteiros. 'O decreto que transformou essa rua na Travessa Vallauri especificou que a mesma inicia-se na rua Tabapuã e segue por 25 metros para dentro da vila. O restaurante situa-se no terreno que começa imediatamente após o término destes 25 metros, ou seja, seu terreno é particular.'

A Subprefeitura de Pinheiros não concorda com a postura do proprietário e informou que os donos do restaurante desobedeceram a algumas normas: nunca avisaram sobre o fechamento da rua, colocaram mesas e cadeiras na via e acabaram com passeio público.

A reportagem do Jornal da Tarde esteve no local e verificou que toda a travessa foi fechada pelo restaurante.

RUA SEM SAÍDA PODE SER FECHADA

Na teoria, toda rua sem saída pode ser fechada pelo seus moradores, desde que algumas normas da Prefeitura sejam cumpridas

Uma delas é que 70% dos proprietários das casas do lugar aprovem a mudança

Também é preciso comunicar à administração regional do bairro o fechamento do lugar

A Prefeitura exige também que os moradores se comprometam a não destruir o passeio público, que inclui chão, mesmo que seja de paralelepípedos, guias e sarjetas
Também é proibido colocar mesas e cadeiras na via pública

TRANSFORMOU GRAFITE EM ARTE
Alex Vallauri
grafiteiro e artista plástico

Alex Vallauri (1949 - 1987) nasceu na Etiópia e se naturalizou brasileiro.

Foi o pioneiro em intervenções urbanas, com grafite, em 1978.

Vallauri ficou famoso ao criar a Rainha do Frango Assado, figura sexy e abusada, que usava biquíni e salto agulha, e enfeitava muros e fachadas da Cidade.

Em Nova York, os grafites de Vallauri também ganham os muros. Seu desenho de um telefone vermelho virou até cartão-postal



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