estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Sábado, 2 junho de 2007   edições anteriores
VARIEDADES
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Mulher de histórias que não acabam mais

O jornalista Lira Neto mergulhou em histórias da cantora que eternizou inúmeros sucessos. O resultado é 'Maysa - Só numa multidão de amores'

LUDMILA AZEVEDO, ludmila.azevedo@grupoestado.com.br

Se existem personalidades cuja vida daria um livro, imagine no caso de uma artista como Maysa? Conhecida como “Deusa das canções de dor-de-cotovelo”, “rainha da música de fossa” e “Edith Piaf dos trópicos”, a cantora de voz quente e olhos penetrantes - sua marca registrada - foi além de todos os rótulos.

“Com o material que eu tive à disposição, poderia ter redigido uma biografia de mais de duas mil páginas”, explica o jornalista Lira Neto, autor de Maysa - Só numa multidão de amores, com 400 páginas, que também traz uma série de fotografias de momentos da vida da mais polêmica diva brasileira.

Maysa abandonou o status de Sra. Matarazzo para viver de música e, na mira da conservadora sociedade paulistana dos anos 50, não escondeu a vida boêmia que levava depois do desquite, muito menos seus vários romances. Além de uma intérprete única, uma compositora de primeira. “Qualquer biógrafo adoraria ter feito esse projeto”, conta o jornalista.

Grandes expectativas

Lira Neto lembra que muitos colegas tentaram, em vão, arrancar a autorização das mãos do herdeiro Jayme Monjardim, diretor de novelas da Rede Globo e cineasta. “Eu havia concluído a biografia do (escritor) José de Alencar e, numa conversa informal com o Fernando Morais, comentei que gostaria de contar a história da Maysa.”

Bastou um telefonema do amigo, autor de Olga, e Jayme concordou em receber Lira Neto em sua casa, no Rio de Janeiro. “Foi um encontro agradável. Nos falamos algumas vezes, porém eu não tinha certeza se ia dar certo”, recorda.

Um belo dia, o filho de Maysa apareceu em São Paulo com uma caixa que pesava mais de 30 quilos e entregou ao jornalista. O conteúdo era um verdadeiro tesouro: os diários que a cantora mantinha desde os 15 anos de idade, centenas de jornais e revistas da época.

“Procurei ser o mais fiel a todos os fatos. Por isso, me pautei em três pilares: os escritos dela, as notícias publicadas no Brasil e no mundo sobre a cantora e nas 200 entrevistas que fiz com familiares, amigos, artistas e pessoas próximas.”

Foram dois anos mergulhados na produção da biografia com todo critério para não cometer o que Lira Neto chama de “os dois maiores pecados do biógrafo”: santificar ou demonizar o personagem escolhido.

“Ela tinha um espírito transgressor e se antecipou a muitas tendências culturais e comportamentais. Ao mesmo tempo sofria com as crises de depressão e o alcoolismo. Como Maysa, uma figura extremamente complexa, viveu entre luz e sombras, não mascarei nada”, afirma o escritor.

As páginas trazem a infância marcada pelo convívio com artistas e músicos amigos dos pais Alcebíades e Inah; a adolescência, que chegou junto com a inevitável opção pela arte; a fase adulta, pontuada pelo “casamento dos sonhos”, o sucesso absoluto, além de diversos altos e baixos, e a morte precoce, aos 40 anos, num acidente de carro.

Lira Neto reforça que trabalhou com plena liberdade. “Em nenhum momento recebi recomendações do Jayme sobre qualquer episódio revelado na publicação. Na minha visão, isso é de uma generosidade e de uma maturidade muito grande. Ele sabe que ninguém é filho de Maysa impunemente.”



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.