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Cidade em alta
São Paulo é a estrela principal de três belas exposições fotográficas
Ludmila Azevedo e Thaís Kuzman
São Paulo está no foco da arte. Mas não pense naquela arte fria, distante, quase incompreensível. As exposições que começam neste fim de semana mostram a Cidade em fotos de celular, vídeos caseiros, na internet ou em imagens premiadas do cotidiano. Em Canal*Motoboy, que entra em cartaz no Centro Cultural São Paulo, a Capital é delineada pela ótica dos ‘cachorros loucos’. O Sesc Pompéia, por sua vez, recebe a World Press Photo 2007, que contém a visão de um profissional sobre os riscos de quem vive numa metrópole.
Com a mesma velocidade em que circulam pelos pontos mais complicados de São Paulo, 12 motoboys transmitem para o site Zexe suas impressões, os problemas que passam nas ruas e cenas curiosas do dia-a-dia, por meio de um celular digital. “É muito interessante um projeto como esse, que nos mostra uma diversidade de olhares que não temos normalmente”, afirma o presidente do Centro Cultural São Paulo, Martin Grossmann.
A iniciativa é do artista catalão Antoni Abad, que já usou o mesmo recurso em outros países, mas com comunidades diferentes, como ciganos e prostitutas. “Essa exposição é um dos pontos mais fortes na grade de programação do CCSP”, acredita Grossmann, reforçando que, além do site, o projeto abriga debates e documentários. “Durante todo o tempo de exposição, teremos essa passagem do real para o virtual e vice-versa. Além disso, o CCSP funciona como um quartel general dos motoboys. Quem conferir o projeto perceberá essa interação”, diz ele, sobre a mostra que entra em cartaz às 16h de hoje.
Em Cidadania...Brasileiros, que começa amanhã e vai até 30 de junho, também no Centro Cultural São Paulo, 42 trabalhos de 17 fotógrafos premiados nas seis edições mostram momentos corriqueiros de todo em todo o país, como o amanhecer e a procura por um emprego em todo o País. Muitas dessas imagens, como não poderia deixar de ser, se passam em São Paulo. “O que a gente percebe é que uma exposição complementa a outra, pois são tratamentos muito diferentes”, diz Grossmann.
Academia ao ar livre
O brasileiro João Kehl foi o vencedor da categoria ‘Esportes em Geral’ da World Press Photo, a principal competição internacional em imprensa fotográfica. Jovem, ele ingressou há pouco na profissão: os primeiros cliques foram quando tinha 18 anos. Um ano depois, entrou no curso superior de fotografia do Senac. Foi assistente de Kiko Ferrite e, em 2004, montou com Pio Figueroa e Rafael Jacinto o coletivo Cia. de Foto. Paralelamente ao trabalho com os amigos, Kehl contava, em forma de ensaios, suas próprias histórias. Uma delas chamou a atenção: “Participei do programa de treinamento da World Press Photo, cujo tema era risco. Decidi mostrar a academia de boxe ao ar livre, localizada embaixo do Viaduto do Café, no bairro do Bexiga. Quem treina ali muitas vezes não tem onde morar e o que comer. São pessoas que lutam pela vida”, explica.
João Kehl foi um dos 4.460 fotógrafos de 124 países a batalhar pelo seu lugar ao sol. E o júri, exigente, teve trabalho para selecionar as 78.083 imagens inscritas.
O ensaio de Kehl poderá ser visto na exposição World Press Photo 2007, no Sesc Pompéia, até o dia 10 de junho. Em 600 m² de extensão haverá a exibição de 205 fotografias dos fatos mais marcantes do ano de 2006 em 64 painéis , os melhores ângulos dos acontecimentos que entraram para a história mundial recente e a beleza plástica de várias imagens. Outra oportunidade para quem quer conhecer o talento do fotógrafo é a exposição Portfólio Cia de Foto, no Itaú Cultural. A mostra apresenta uma série de ensaios fechados que discutem temas básicos da fotografia apoiados em três gêneros: paisagem, retrato e still.
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