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À procura da batida perfeita
A segunda noite foi animada, mas parece que a festa da música eletrônica decaiu. E de quem é a culpa?
Arthur Guimarães e Marc Tawil
Criticada por ter turbinado o preço dos ingressos ao mesmo tempo em que dividiu as atrações em dois dias - e não tudo junto, por um valor único, como nas últimas sete festas - o Skol Beats acabou aplicando uma punição ao público que, fiel, fez dupla jornada para ouvir música eletrônica.
A segunda noite foi bem animada. Único DJ padrinho de uma tenda, Marky mais uma vez proporcionou momentos arrepiantes aos amantes do drum‘n’bass. A platéia, historicamente formada por jovens da periferia - com cabelos coloridos, roupas fosforescente e molas nos pés - neste ano mudou de visual. Era uma raridade encontrar um cybermano escutando o som.
Sem seu séquito, mas igualmente entusiasmado, Marky protagonizou momentos atordoantes como uma seqüência de sons tirada de um toca-discos de lado, no colo.
Já a atração mais esperada do segundo dia, a francesa Miss Kittin, reverteu a fama de arrogante que tinha com os brasileiros. Depois de ter reclamado do assédio do público paulistano em outra apresentação, a DJ entrou pulsante, dançando nas picapes e botou todo mundo para pular ao som de seu electro com vozes metálicas.
Era nítido que tinha muita gente ali pelo “hype”, pela moda, pelo nome. Mas, se por um lado essa parcela dos presentes não entendia a técnica de Miss Kittin, por outro foi interessante pelo delírio coletivo. A francesa não parou de sacudir o corpo nem quando algumas falhas no som abafaram a música por bons instantes. Mesmo sem chuva, goteiras molhavam o público. Ninguém sabia se era água, mas a indignação era clara de quem tinha pago R$ 140 pelo ingresso.
A conclusão é que a festa está decaindo. Uns culparam o frio, outros o alto preço da entrada. Houve quem falasse dos DJs. E algumas atrações fizeram questão de demonstrar insatisfação com o público.
Logo na sexta, o Skol Beats viu um frio de rachar catedrais e uma homogeneidade jamais sentida em nenhuma edição: todos os 14 mil freqüentadores pareciam ter saído da mesma mãe. Um visual sóbrio, quase de shopping que contrastava, e muito, com o estilo e o colorido emprestado dos cybermanos, por exemplo.
Mas o palco Skol Live Stage agradou com seus telões e visual cinematográfico. Apresentaram-se nele o quase desconhecido Nathan Fake, brasileiro Gui Boratto e o bom Addictive TV, considerado um dos melhores shows da noite, com sua mixagem de som e cenas de cinema. A tenda DJ Mag (que leva o nome da mais conceituada revista de música eletrônica do mundo) foi a que mais lotou. Destaque para set mixpop do DJ David Guetta, que só terminou às 6h.
Atração das mais aguardadas, Afrika Bambaataa e seus MCs falaram mais do que tocaram e cansaram o público, que compareceu em massa no até então semi-vazio espaço. “Vocês não estão preparados!”, chegou a gritar TC, um dos MCs da banda de apoio a Bam, o Zulu Nation. Constrangedor. Antes deles, foi a vez de Q-Bert roubar a cena com seus scratches sensacionais, de bom gosto e impressionantemente ágeis. De origem filipina, o DJ radicado na Califórnia levou os fãs ao delírio ao erguer uma bandeira do Brasil. Para quem esperou até o amanhecer para ver o Mstrkrft, uma má notícia: a dupla não conseguiu embarcar no vôo de Buenos Aires para São Paulo devido ao mau tempo e cancelou a apresentação.
A organização não registrou ocorrência policial grave. Os mil seguranças fizeram sua parte.
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