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Segunda-feira, 7 maio de 2007   edições anteriores
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  Surpresa na audiência: o juiz também é cantor

Após o acordo, o juiz-cantor revelou para o ‘rei’ que também gosta de cantar e entregou o seu CD para todos os presentes. O escritor Paulo Cesar de Araújo não aprovou a cena

Foi uma tarde tensa. O cantor Roberto Carlos e seus advogados se encontraram com o escritor Paulo Cesar de Araújo, o editor e o diretor da Planeta e seus representantes legais por volta das 13h30 no Fórum Criminal da Barra Funda. Após 5 horas e 30 minutos de discussões, as duas partes chegaram a um acordo. Quando parecia não haver mais nenhuma surpresa reservada para aquele dia, acontece algo inusitado: o juiz que presidia a audiência, Tércio Pires, começa a distribuir um CD em que interpreta onze canções de sua autoria.

Intitulado Pra Te Ver Voar, o disco foi lançado por Pires em 2003. Mas o magistrado não assina a obra com seu nome de batismo: preferiu o pseudônimo Thé Lopes. “Eu me relaciono com a música desde menino. Cheguei até mesmo a ser eleito melhor intérprete no Festival Juvenil da Canção. Como tenho um grande volume de composições, resolvi compilar algumas delas e fazer um disco que teve toda renda revertida para entidades filantrópicas ”, explica Tércio Pires, que tem 17 anos de magistratura.

O juiz enxerga com naturalidade a distribuição de seu trabalho musical na sala de audiência “Esta não foi a primeira vez. Já fiz em outras ocasiões”, explica o magistrado, que se justifica: “O acordo, uma vez celebrado, representa pacificação, fim de discussão, fim de briga. Então, quando todas as partes estão acomodadas, eu entrego o CD”, conta o juiz-cantor, que promete lançar ainda outro disco em breve.

Mas o clima descontraído parece não ter agradado muito o autor do livro, Paulo Cesar de Araújo. “Quando tudo foi assinado, eu fiquei no canto e o juiz entregou o disco para o Roberto e para os outros e pediu para ouvir com atenção. Depois, foram tirar fotos com o cantor”, reclama Araújo, que desabafa. “Quinze anos de trabalho honesto foram dizimados em cinco horas e meia.”

Pires esclarece o episódio dizendo que, após a audiência, funcionárias do tribunal pediram para tirar fotos ao lado do ‘rei’ e que foi convidado a se juntar a eles em um retrato. “ Estava um ambiente de pacificação, de tranqüilidade. O Roberto disse: ‘vamos tirar fotos também’. Pensei em chamar o Paulo Cesar, mas ele estava emocionado”, diz o magistrado, que completa: “Tenho muito respeito pelo Paulo Cesar de Araújo e compreendo sua aflição”.



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