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Força estranha
Ao proibir seu livro, Roberto Carlos cria um best seller
CAIO QUERO e THAÍS KUZMAN
“Será que tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda”, já cantava Roberto Carlos em um sucesso de 1976. Parece que ele tinha razão: a biografia Roberto Carlos em Detalhes, que tanto o incomodou com revelações de sua vida pessoal, pode se transformar num desses prazeres proibidos. Escrita por Paulo Cesar de Araújo, a obra passou de um livro corriqueiro a objeto de desejo após uma batalha judicial que se estendeu por alguns meses e culminou em um acordo para a retirada dos exemplares de circulação.
Na última audiência do caso, realizada em São Paulo no dia 27 de abril, Roberto, seus advogados, o autor e os representantes da Editora Planeta (responsável pela edição da obra) fecharam os termos da conciliação, pelos quais a empresa ainda se comprometeu a recolher todo o material das livrarias no prazo máximo de dois meses.
O alarde criado pelo caso (e pelo futuro sumiço dos livros) gerou um aumento da procura e do interesse pela biografia. Desde a primeira decisão favorável ao cantor, em fevereiro, o número de vendas nas três lojas da Livraria da Vila espalhadas pela cidade, por exemplo, cresceu. Com a divulgação do acordo na semana passada, os exemplares que ainda estavam em estoque se esgotaram, segundo a assessoria da rede. Mas o livro está sendo mais valorizado também na internet: na última sexta-feira, Roberto Carlos em Detalhes já era oferecido pelo site de leilões Mercado Livre por R$ 100 (o preço original era de R$ 60).
“Todas as obras que enfrentam ações judiciais acabam valorizadas. A biografia do Roberto Carlos tem tudo para se transformar em raridade”, diz Messias Antônio Coelho, proprietário do tradicional Sebo do Messias, com a experiência de quem trabalha com livros usados há mais de 30 anos.
Destino dos livros
Na última quarta-feira um caminhão recolheu mais de 10 mil exemplares da biografia de Roberto de um depósito da Editora Planeta. O destino das peças, no entanto, ainda não foi decidido. “A idéia inicial é dar a esse material uma utilidade beneficente. A intenção de Roberto é viabilizar, através de um processo de reciclagem, o aproveitamento do papel, que pode ser transformado em cadernos a serem doados a instituições filantrópicas. Mas isto ainda está sendo estudado”, explica Marco Antonio Bezerra Campos, advogado do cantor.
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