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Pra começo de conversa
INCLUSÃO SOCIAL (1) A Central 24 Horas para...
Hoje, às 14h, na Câmara Municipal haverá audiência pública relacionada com necessário projeto da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que já foi aprovado em primeira votação. Trata-se da criação de uma Central Única 24 Horas na Cidade para atender emergências de pessoas deficientes, em especial, surdos-mudos e cegos. No primeiro caso, a comunicação é praticamente impossível sem apoio especializado e torna-se dramática em situação de urgência médica. Esta Central contará com intérpretes da linguagem de Libras e todas suas variações. E estará conectada com as 31 subprefeituras, delegacias e atendimentos de saúde da Capital.
Hoje a Capital tem cerca de 1,5 milhão de deficientes; se forem contados os temporários, como por exemplo os super-obesos, chegam a 3 milhões. O projeto de Mara nos dá a oportunidade de falar da extraordinária experiência de um casal de deficientes: Cláudia Sofia e Carlos Jorge, que estão casados há dois anos.
INCLUSÃO SOCIAL (2) ...deficientes e a extraordinária...
Ambos são surdos-mudos e cegos mas por razões diferentes. Ele nasceu assim, enquanto Sofia perdeu a audição aos seis anos e a visão aos 19. Por isso teve chance de conversar com as pessoas e tempo de aprender leitura labial. Esta qualificação lhe permitiu desenvolver a rara habilidade de compreender o que as pessoas falam pela vibração e tato. No seu caso, leva a mão ao queixo do interlocutor durante a sua alocução, técnica que é utilizada por apenas 4 ou 5 pessoas no planeta; a maioria dos deficientes similares apalpa o pescoço de quem lhe dirige a palavra.
INCLUSÃO SOCIAL (3) ...história deste casal
Este método tátil é conhecido como Tadoma e também terá intérpretes na Central 24 Horas. Mas o talento especial de Cláudia Sofia de nada vale na comunicação com o marido, pois Carlos Jorge não fala. Eles se entendem, e muito bem, através da linguagem Libras Pátio, que consiste na troca dos sinais do método nas respectivas palmas da mão, como se fosse uma escrita, embora sem deixar marcas ou traços de uma caligrafia convencional. Como Carlos Jorge é carioca, o casal, que está na faixa dos 45 anos, começou a namorar por meio de correspondência em Braille, em 2002. Carlos veio para cá com o casamento e tem o seu salário de diretor-geral da Associação Brasileira de Surdos-Cegos; Cláudia trabalha no Grupo Brasil, ONG que reúne deficientes múltiplos. Eles moram na Vila Mariana. Uma curiosidade: Cláudia faz questão de falar com as pessoas até ao telefone, se tiver apoio por perto. Nessas ocasiões, a intérprete ouve, passa-lhe a mensagem via apalpação, Cláudia toma o aparelho e vai em frente.
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