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Segunda-feira, 7 maio de 2007   edições anteriores
OPINIÃO
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  O uso da mídia na escola

Educomunicação é tema de evento que começa amanhã e vai reunir 200 educadores no 'Grupo Estado'

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

Amanhã e quarta-feira, mais de 200 educadores de escolas públicas da Capital estarão reunidos no auditório do Grupo Estado para participarem do I Encontro Brasileiro de Educomunicação, realização do JT em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE-USP) e com o Comitê Gestor da Lei Educom da Prefeitura de São Paulo.

Em entrevista ao JT, o professor Ismar de Oliveira Soares, coordenador do NCE-USP, explica o que é Educomunicação e seu papel na melhoria do aprendizagem dos brasileiros.

JT: O que é Educomunicação?

Ismar: Quando temos notícia de que mulheres indígenas da nação Xavante, na aldeia de Sangradouro, no Mato Grosso, que em circunstância alguma se expressavam publicamente, estão produzindo coletivamente programas de rádio para melhorar a comunicação na tribo damos como certo que a Educomunicação chegou àquelas paragens. O mesmo ocorre quando vemos grupos de adolescentes, numa escola da periferia de uma grande cidade como São Paulo, trabalhando de forma colaborativa em torno de um computador, planejando o jornal da escola ou criando seus web-rádios. Consideramos como educomunicativa, também, a proposta de um jornal, de uma revista ou de uma emissora de TV de dedicar espaço específico e tempo para a área da Educação, colaborando com os educadores na divulgação de ações que tenham como eixo central a participação dos membros das comunidades em ações voltadas para a ampliação das formas de expressão, para o fortalecimento da auto-estima dos jovens e para práticas de cidadania.

O que foi o projeto Educom.rádio?

O Projeto 'Educom.Rádio' foi e continua sendo um programa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME), que teve seu início em 2001, quando o NCE-USP foi chamado para introduzir a prática educomunicativa em 455 escolas municipais de Ensino Fundamental. A primeira parte do programa correspondeu ao período de formação que durou 3,5 anos, atingindo cerca de 9 mil pessoas entre professores, alunos e membros das comunidades em torno das escolas. Para tanto, o NCE/USP preparou um grupo de capacitadores que ia, juntamente com professores da própria USP, à periferia da Cidade para levar às escolas os fundamentos da comunicação, convidando as comunidades a inserirem as práticas educomunicativas nos respectivos planos pedagógicos. A linguagem escolhida foi a radiofônica, levando em conta a necessidade do sistema educativo reforçar práticas que favorecessem a gestão da comunicação no interior da comunidade.

Quais foram os resultados?

Iniciado o processo de capacitação, a SME registrou redução imediata dos índices de violência nas escolas, na razão de 50%, segundo dados divulgados pela então secretária Cida Perez, em 2003. Já em 2005, o então secretário Aristodemo Pinotti citou os resultados pedagógicos do Educom.rádio, referindo-se expressamente à melhoria imediata na aprendizagem, incluindo especialmente a leitura e à forma desinibida com que os alunos do Educom passavam a apresentar-se publicamente. O pesqui sador Renato Tavares, do programa de pós-graduação da ECA/USP, ao analisar mais de 800 produções radiofônicas de professores e alunos da rede municipal no contexto do Educom, chegou à conclusão de que eram os próprios adolescentes que direcionavam suas produções para debater temas de interesse da coletividade, demonstrando que haviam adquirido critérios de análise da realidade pouco comuns em jovens da idade.

Então, na prática, como as escolas devem usar os meios de comunicação? Basta terem uma rádio ou um jornal que o resultado será garantido?

Não é bem assim. Na pesquisa do Renato Tavares a que me referi, a escola que melhor traduz a proposta da Educomunicação é justamente uma unidade escolar que não foi contemplada com os equipamentos de rádio. Como todos sabem, das 455 escolas que foram matriculadas no projeto Educom.rádio, 200 delas, justamente as que receberam a capacitação em 2004, ficaram sem os equipamentos a que tinham direito. No entanto, com a criatividade de seus professores e alunos, encontraram maneiras de replanejarem seu espaço educativo a partir do eixo transversal da comunicação. Nesse sentido, o resultado esperado - que é a melhoria das relações de comunicação no interior da comunidade escolar - vai além dos equipamentos. Trata-se de uma filosofia de vida, de um projeto pedagógico. Na verdade, certa reação contrária à Educomunicação advém justamente quando alguns educadores descobrem que o que está em jogo não é ter ou não o rádio funcionando, o que não é tão difícil, mas é rever as relações de poder no espaço escolar.

FRANÇA X CAPITAL

A França acaba de incluir a educação 'para os meios de comunicação e por meio deles' no currículo das escolas de todo o país. O governo francês parte do princípio de que vivemos na Era da Informação, com forte presença dos meios massivos de comunicação povoando o imaginário da infância e contribuindo para a formação de seus valores

Na Capital, a regulamentação da Lei Educom, pelo então prefeito José Serra, em 2005, deu condições legais para que a Educomunicação seja introduzida de forma adequada no campo da Educação e de outras secretarias como Saúde, Cultura e Meio Ambiente



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