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Terça-feira, 27 março de 2007   edições anteriores
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  Bairros nobres lideram áreas contaminadas

Não é difícil constatar que os postos de gasolina estão mal conservados e ultrapassados quando se tem em mãos os dados de contaminação do solo no Estado. Em novembro do ano passado, a Cetesb registrou 1.822 áreas contaminadas: 1.352 delas (ou 74%) ficam embaixo de postos de combustível. Só na Capital, são 486 áreas.

O número é alto, mas não dá a dimensão dos casos de contaminação no Estado. A quantidade de terrenos encharcados de substâncias poluentes e tóxicas deve ser bem maior, segundo estimativa da Cetesb. Para chegar às 1.352 áreas contaminadas, apenas 3 mil postos foram vistoriados, de um total de 8,5 mil. “E é provável que muitas áreas nem sejam identificadas, porque já têm outra edificação no lugar”, disse o geólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Tecnológica, Cláudio Leite.

Na Capital, bairros nobres encabeçam a lista dos locais com maior número de terrenos contaminados por postos de gasolina. Na Mooca, são 22 áreas; no Ipiranga, 18; na Vila Mariana, 17; em Santana, 14. Em seguida vem Santo Amaro, com 12 áreas; Vila Maria e Saúde, cada um com 10 áreas contaminadas por postos de gasolina. Nos bairros Butantã e Pinheiros, a Cetesb registrou nove terrenos nessas condições.

A descontaminação é de responsabilidade do proprietário do posto e do distribuidor do combustível, que fornece o tanque. O processo não sai por menos de R$ 250 mil e leva em torno de dois anos para ser concluído. Até agora, apenas 2% dos postos onde foi detectada a contaminação fizeram o procedimento.

De 2002 a novembro de 2006, o registro de áreas contaminadas cresceu sete vezes (de 255 para 1.822). O salto se deve, segundo o gerente do Grupo de Ações Preventivas da Cetesb, Rodrigo Cunha, à Resolução 273 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), de 2001. Desde então, para os postos obterem o licenciamento ambiental têm de apresentar um laudo com as condições do solo. “Outros tipos de empreendimento, como as indústrias, não fazem essa identificação. É natural que o número de postos seja tão alto”, disse.



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