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Comer bem se aprende na escola
Nutricionistas e educadores explicam por que é importante melhorar a alimentação da meninada
CAROLINA FREITAS, geral@jt.com.br
Assim que toca o sinal para o recreio, a turma corre para a lanchonete. Fora da sala de aula, se aprende, na prática, educação nutricional. Escolas investem em projetos para alimentação saudável e incentivam cantinas a incluírem fruta, suco e sanduíche natural no cardápio. Educadores e nutricionistas concordam: ensinar a comer bem é papel da escola.
No refeitório, placas coloridas mostram o valor calórico de cada alimento no Colégio Santo Américo, no Jardim Colombo, Zona Sul. Vermelho, amarelo e verde sinalizam pratos de consumo restrito, moderado ou livre. A discussão sobre saúde parte também dos estudantes, que reúnem alunos das séries iniciais para atividades lúdicas sobre nutrição, esportes e prevenção ao uso de drogas. “Eles exercem pressão positiva sobre os menores”, diz o coordenador Cesar Pazinatto.
A participação dos pais é fundamental para mudar hábitos. A Stance Dual School, na Consolação, produziu uma cartilha com sugestões de lanches. “Queijo, cenoura, peito de peru e ovo de codorna são bons ingredientes para incrementar o sanduíche”, diz a coordenadora de Controle de Qualidade da escola, Eliana Favilli.
A pedagoga acredita que colegas influenciam a alimentação uns dos outros. “Os alunos novos são levados pelo grupo a aceitar restrições na cantina.” A lanchonete não vende chocolate, bala ou chiclete, e os atendentes sugerem frutas e sucos.
A Cidade Jardim Playpen, no Morumbi, proíbe também refrigerante e salgadinho. “Educação alimentar está no nosso projeto pedagógico”, diz a diretora pedagógica Célia Tilkian.
As crianças do Colégio Santa Maria, no Jardim Marajoara, já sabem que frutas não vêm do mercado. A turma aprendeu a lição colhendo banana, amora, mamão e manga no pomar da escola. “Eles conhecem forma, cheiro e gosto das frutas”, explica a orientadora pedagógica Paula Bacchi.
Em plantações e indústrias, alunos do Pueri Domus, escola com seis unidades no Estado, aprendem sobre agricultura e fabricação de alimentos.
Para estimular o consumo de legumes, vale a pena contar com a criatividade das crianças. No Instituto de Educação Pré-Escolar, em Santana, na Zona Norte, o prato preferido é macarrão com beterraba. A explicação é simples. “Para eles, é massa cor-de-rosa”, conta a diretora, Solange Lima.
Os pais podem aproveitar a volta às aulas para montar o lanche com os filhos. “Brincar de mestre-cuca faz a criança valorizar a comida, que passa a ter um significado emocional”, diz a nutricionista Daniela Silveira, do Ambulatório de Obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A lancheira saudável inclui fruta, suco natural e pão com queijo, que pode ser trocado por bolo ou biscoito sem recheio. É recomendável ingerir ainda iogurte ou leite integral.
Quem não tem tempo para preparar o lanche em casa pode acompanhar as compras na cantina pela internet, por meio de um cartão de débito especial. “Se comprar refrigerante e salgadinho todo dia, o pai vai saber”, exemplifica a supervisora operacional da Sodexho, Renata Constante. A empresa implantou o sistema no Colégio Santo Américo, onde atende 800 pessoas.
A rede de serviços de alimentação GRSA fornece o cartão a 55 instituições de ensino e coloca no ar, no 2º semestre, site com dicas e jogos sobre nutrição, complementares ao cartão. “Somos a favor da educação”, diz a diretora de Varejo e Educação, Simone Galante.
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