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Falta professor subsituto
MARIA REHDER e CINTHIA RODRIGUES
Falta professor nas escolas municipais de todas as regiões da Capital. A denúncia é dos próprios educadores, que responderam a um questionário sobre o assunto aplicado pelo Sindicato dos Profissionais em Educação do Município de São Paulo (Sinpeem) a pedido do JT. O resultado não deixa dúvida: das 203 unidades ouvidas, 202 afirmaram ter ficado sem professor em sala de aula em 2006.
A principal causa é a falta de professores substitutos de plantão. A maioria das escolas tem profissionais a menos do que comportaria pelo número de salas de aula. O Sinpeem ouviu representantes de Centros de Educação Infantil (CEI), Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef). Das 203 escolas pesquisadas, 150 afirmaram ter ficado sem nenhum professor eventual para atender a um determinado período escolar (diurno ou noturno). O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, reconhece a necessidade da contratação de mais substitutos.
O principal motivo para a alarmante falta de professores é o que o presidente do sindicato, Cláudio Fonseca, chama de “adoecimento da categoria”. Em apenas uma escola da Zona Leste, por exemplo, 14 professores ficaram de licença médica ao mesmo tempo. “O professor tem de driblar classes lotadas e é submetido à violência, o que gera afastamentos por causa de problemas psiquiátricos”, afirma Fonseca.
Embora as perguntas do questionário não tenham pedido nenhum depoimento, alguns professores aproveitaram para desabafar. Uma educadora de Emei da Zona Sul contou que os alunos de uma turma do 2º período tiveram de ser remanejados diariamente para outras salas por falta de professor substituto. Outra, da Zona Leste, diz que, por causa da falta do substituto, seus alunos são redistribuídos para outras salas ou ficam com oficineiros. Em uma terceira, o agente escolar, famoso bedel, assumiu o comando da sala.
Os alunos Em plenas férias, sem poder apelar para a porta da escola, o JT pensou que seria difícil encontrar estudantes que não tiveram aulas batendo de porta em porta. Mas foi fácil. Na vizinhança da Emef Coronel Luiz Tenório de Brito, em Campo Limpo, Zona Sul, a reportagem encontrou Margarida Soares, que participa do conselho da unidade. Ela contou que os alunos de 5ª série ficaram sem aulas de História durante todo o ano letivo. “O professor adoeceu no início do ano. Um substituto assumiu a turma, mas também ficou doente em seguida e os alunos ficaram sem aula até dezembro.”
Margarida, que é mãe de uma aluna do Ensino Fundamental, explica que o problema não é a falta de professor no quadro de funcionários da escola, mas sim a falta de substitutos. “Professores de Português, Artes, Geografia se afastaram e seus alunos ficaram sem aula.” Mesmo assim, todos os estudantes foram aprovados sem recuperação. Para Margarida, culpa do sistema de progressão continuada. Na Zona Norte, Anderson Artur Leonardo, 17 anos, matriculado na 8ª série da Emef Geraldo Sesso Júnior, na Vila Brasilândia, chegou a ficar 6 meses sem aula também de História. “Eu sempre ia embora mais cedo.” Já Neusa Gregório de Souza, aluna de Jovens e Adultos da Emef Joaninha Grassi Fagundes, Freguesia do Ó, está indignada . “Se eu tive 4 aulas de História neste semestre, foi muito.”
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