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Quinta-feira, 30 novembro de 2006   edições anteriores
ECONOMIA
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  Dívidas serão o destino do 13º salário neste ano

Primeira parcela do benefício cai hoje na conta e a segunda sai até 20 de dezembro. Mais de 60% dos trabalhadores usarão o abono para saldar pendências

LUCIANA MATTIUSSI, luciana.mattiussi@grupoestado.com.br

O trabalhador brasileiro parece ter seguido à risca os conselhos dos especialistas em finanças pessoais. A grande maioria, mais especificamente 63%, irá utilizar o 13º salário para quitar dívidas. Isso é o que mostra a pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com 635 consumidores de todas as classes sociais. A primeira parcela do abono precisa ser paga ainda hoje, sem a cobrança de INSS e Imposto de Renda. A segunda parte chega até o dia 20 de dezembro.

Das pessoas que pretendem se livrar dos débitos, 33% pagarão os juros do cheque especial e 25% do cartão de crédito. O levantamento da Anefac também mostra que 22% desses trabalhadores querem regularizar seus nomes, que já se encontram registrados nos cadastros negativos do SPC/Serasa. 'Pagar dívidas realmente é o mais importante e mais indicado. Principalmente se elas forem de cheque e cartão de crédito, que trazem embutidos encargos muito pesados', diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac.

No segundo lugar sobre o destino deste dinheiro extra, com 15%, aparece a compra de presentes para o Natal. Para Oliveira, gastar o ano desta maneira também é indicado, pois evita a aquisição de novas dívidas. 'Ao usar o dinheiro com os gastos de Natal, o consumidor evita utilizar cheques pré-datados e cartão de crédito e não se corre o risco de entrar no vermelho de novo', comenta.

A dica do consultor de investimentos Fábio Colombo é guardar pelo menos parte do 13º salário. 'Essa quantia deve ser aplicada para eventuais gastos futuros', opina Colombo, com o consentimento de Oliveira. 'Tente também reservar os valores necessários para pagar IPTU, IPVA, além de matrícula e material escolar', completa o vice-presidente da Anefac. E é justamente esta finalidade que 11% dos consumidores entrevistados pretendem dar para o abono.

Com o pagamento integral do 13º, cerca de R$ 53 bilhões serão injetados na economia brasileira. Apenas no Estado de São Paulo, este valor cai para R$ 18,231 bilhões. O número de brasileiros que serão beneficiados é de 60,7 milhões. Esses dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levou em consideração empregados do mercado formal, inclusive os trabalhadores domésticos, e beneficiários da Previdência Social.

Em relação a 2005, o número de pessoas beneficiadas aumentou. 'Neste ano, o crescimento é de 2,7%, ou, cerca de 1,6 milhões de pessoas a mais irão receber o 13º', conta Nelson Karam, coordenador do Dieese. O crescimento da economia é apontado por ele como responsável por esse aumento.

Se a empresa não depositar o benefício, a primeira coisa que o empregado deve fazer é procurar o patrão para uma conversa. 'Às vezes, a empresa não deposita, mas se a pessoa vai conversar, ela paga', diz Sônia Mascaro, doutora em direito do trabalho pela USP.

Caso a conversa não dê resultado, o indicado é fazer uma denúncia na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). A acusação pode ser feita individualmente e a pessoa não precisa se identificar. Para formalizar a denúncia o funcionário deve procurar uma unidade do órgão.



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