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Incêndio e pânico em boate da Vila Olímpia
Dentro da casa de shows Space Club, na zona sul, havia 800 pessoas quando o fogo começou
Thaís Kuzman, thais.kuzman@grupoestado.com.br
Em Buenos Aires, 194 pessoas morrem, em 30 de dezembro de 2004, quando a casa noturna Cromañon pegou fogo após um rojão ser lançado dentro do local. As saídas de emergência estavam trancadas para evitar que pessoas sem ingresso entrassem na discoteca.
Nos Estados Unidos, 100 pessoas morreram em Rhode Island, em 20 de fevereiro de 2003, quando um dispositivo pirotécnico espalhou fogo pela casa noturna West Warwick.
Quem decidiu se divertir na casa noturna Space Club, na sexta-feira, não poderia imaginar que a propaganda da balada - 'para esquentar a sua noite temos go-go dancers em alta performance a noite toda' - se transformaria em uma espécie de aviso premonitório.
Por volta de 1h30, um incêndio tomou conta da casa, que fica na Rua Lourenço Marques, Vila Olímpia. O fogo começou durante uma performance de pirofagia. 'Quando o go-go boy cuspiu fogo, eu vi faíscas no teto, mas achei que era um efeito programado. Só entendi o que estava acontecendo na hora em que a brigada de incêndio chegou com o extintor', conta Marina Alves Pereira, de 16 anos.
Assim como Marina, cerca de 800 pessoas estavam no local no momento em que o tumulto começou. 'Os funcionários desligaram a música e o DJ pediu que todos permanecessem calmos. Mas a equipe estava mais nervosa que todo mundo', diz a menina.
Muitos freqüentadores contaram que o fogo se alastrou rapidamente pelo revestimento sintético do teto. 'As chamas se espalharam muito rápido, pedaços do teto começaram a cair... Parecia que estava chovendo fogo', lembra o estudante Adriano Melo Leite da Silva, também de 16 anos.
De acordo com Adriano, o desespero tomou conta dos presentes quando eles perceberam que as saídas de emergência estavam trancadas. 'Algumas portas foram arrombadas. Além disso, os seguranças não queriam permitir que as pessoas saíssem sem pagar', diz ele, que viu uma menina ser pisoteada. 'E não dava para ajudar, pois o tumulto estava demais. Na confusão, as pessoas só pensam em si.'
Um dos que se machucaram na correria foi Renan Morais Pereira, de 19 anos. Ele acabou prensando o braço em uma barra metálica. 'Está um pouco dolorido', contou ele, ao ser atendido no local. Luis Munhoz, de 20 anos, teve mais sorte do que a maioria dos freqüentadores da Space. 'Muitas meninas estavam chorando, tinha gente pulando o muro, se aglomerando nas saídas. Um segurança me mostrou outra porta e eu deixei a balada sem problemas', conta.
Na noite de sexta, o Corpo de Bombeiros informou que três pessoas foram encaminhadas para o Hospital São Paulo e uma ao Hospital Santo Amaro. Todos estavam conscientes e não apresentavam sintomas graves.
Ontem, o Hospital São Paulo divulgou que duas pessoas que estavam na boate e cujos nomes não foram revelados foram atendidas com queimaduras leves nas mãos. Depois de medicadas e orientadas, as vítimas puderam ir para casa.
Liminar impede fiscalização
Apesar das histórias e maneiras diferentes de agir na situação de perigo, diversos jovens reclamaram dos mesmos problemas de organização: saídas de emergência trancadas e nervosismo dos funcionários da Space Club.
Diante disso, a Subprefeitura de Pinheiros informou que uma ordem judicial expedida por liminar impede a fiscalização da danceteria. A assessoria também disse que, na segunda-feira, deve ser anunciada uma posição oficial sobre o fato.
A Space Club foi procurada, mas uma funcionária, que não se identificou, declarou que 'todos que trabalham na balada estão muito chocados com o que aconteceu, mas apenas na segunda-feira alguém poderá falar sobre o caso'.
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