estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Domingo, 26 novembro de 2006   edições anteriores
CIDADE
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Trabalho destas crianças: pedir esmola

Mães de região de Cingapura e favela da Zona Oeste dependem do dinheiro que crianças ganham vendendo bugigangas nos faróis da Zona Sul

Mais de 20 crianças e adolescentes saem do Cingapura Jardim do Lago e Favela D'Abril, na Zona Oeste, para trabalhar e esmolar nas ruas do Itaim Bibi, Zona Sul, todos os dias. O grupo deixa a comunidade carente por volta das 12h e só retorna às 23h. As crianças vendem lixas de unha a R$ 1 cada.

Elas mesmo se organizaram e não trabalham sob a supervisão dos tradicionais aliciadores, que ficam com parte do dinheiro. O que cada uma arrecada vai integralmente para as mães que, na grande maioria das famílias, são as responsáveis pela casa. As próprias mães incentivam o trabalho dos filhos e alegam que não têm fonte de renda. As mulheres afirmam que aguardam, há mais de um ano, a inserção no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), coordenado no município pela Prefeitura.

'Desempregada e sem nenhum rendimento, a casa é sustentada pelas crianças. Não tenho outra saída', justifica Maria Conceição Palmiro, 41 anos, mãe de sete crianças. Todas vão para o farol. A filha de 18 anos, que desde pequena acompanhava a mãe no semáforo, leva, às vezes, o bebê de 7 meses.

Mais que levar dinheiro para a comida, a garotada ajuda nas prestações dos eletrodomésticos, como televisão e DVD e móveis, comprados com o dinheiro do farol. Também conseguiram erguer o barraco. 'Se souber administrar, dá para viver', diz a mãe, que foi a primeira da comunidade a trabalhar na região do Itaim Bibi e acabou servindo de inspiração para outras famílias na mesma situação.

É o caso da empregada doméstica Anita Nascimento dos Santos, de 32 anos, mãe de dois garotos que participam do grupo. 'Estava em uma situação muito difícil e vi o trabalho das crianças como uma possibilidade de conseguirmos nos sustentar. Mas acho muito arriscado.'

Como trabalham há muito tempo na região, as crianças já são conhecidas dos comerciantes. Mas o tempo todo são expulsas da frente das lojas. 'É bem humilhante mas a gente aprende a não ligar', conta Natália, que tem 15 anos e esmola desde os três anos.



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.