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Trabalho destas crianças: pedir esmola
Mães de região de Cingapura e favela da Zona Oeste dependem do dinheiro que crianças ganham vendendo bugigangas nos faróis da Zona Sul
Mais de 20 crianças e adolescentes saem do Cingapura Jardim do Lago e Favela D'Abril, na Zona Oeste, para trabalhar e esmolar nas ruas do Itaim Bibi, Zona Sul, todos os dias. O grupo deixa a comunidade carente por volta das 12h e só retorna às 23h. As crianças vendem lixas de unha a R$ 1 cada.
Elas mesmo se organizaram e não trabalham sob a supervisão dos tradicionais aliciadores, que ficam com parte do dinheiro. O que cada uma arrecada vai integralmente para as mães que, na grande maioria das famílias, são as responsáveis pela casa. As próprias mães incentivam o trabalho dos filhos e alegam que não têm fonte de renda. As mulheres afirmam que aguardam, há mais de um ano, a inserção no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), coordenado no município pela Prefeitura.
'Desempregada e sem nenhum rendimento, a casa é sustentada pelas crianças. Não tenho outra saída', justifica Maria Conceição Palmiro, 41 anos, mãe de sete crianças. Todas vão para o farol. A filha de 18 anos, que desde pequena acompanhava a mãe no semáforo, leva, às vezes, o bebê de 7 meses.
Mais que levar dinheiro para a comida, a garotada ajuda nas prestações dos eletrodomésticos, como televisão e DVD e móveis, comprados com o dinheiro do farol. Também conseguiram erguer o barraco. 'Se souber administrar, dá para viver', diz a mãe, que foi a primeira da comunidade a trabalhar na região do Itaim Bibi e acabou servindo de inspiração para outras famílias na mesma situação.
É o caso da empregada doméstica Anita Nascimento dos Santos, de 32 anos, mãe de dois garotos que participam do grupo. 'Estava em uma situação muito difícil e vi o trabalho das crianças como uma possibilidade de conseguirmos nos sustentar. Mas acho muito arriscado.'
Como trabalham há muito tempo na região, as crianças já são conhecidas dos comerciantes. Mas o tempo todo são expulsas da frente das lojas. 'É bem humilhante mas a gente aprende a não ligar', conta Natália, que tem 15 anos e esmola desde os três anos.
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