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Proprietário revoltado mata inquilino
Por dever sete meses de aluguel, José Luiz Guimarães e seu filho, Nicholas, foram assassinados na manhã de ontem por Francisco Marques Sindra, dono do imóvel
Josmar Jozino, josmar.jozino@grupoestado.com.br
O atraso do pagamento de aluguel do quarto, cozinha e banheiro terminou em tragédia, às 11h45 de ontem, na casa 50 da Rua Reginaldo Willis Galdino, no Jardim Peri, na Zona Norte da Capital. Revoltado com a dívida, o proprietário do imóvel, Francisco Marques Sindra, de 34 anos, matou a tiros o inquilino José Luiz Guimarães, de 43 anos , e o filho caçula dele, Nicholas, de 2 anos.
O outro filho de Guimarães, Diego, de 15 anos, também acabou sendo ferido. Ele fez aniversário ontem e não pôde comemorar. Foi internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Mandaqui, na Zona Norte. A mulher Estela dos Santos, de 39 anos, e os filhos Dener, de 9 anos, e Bruno Henrique dos Santos, de 20 anos, só escaparam da fúria de Sindra porque não estavam em casa.
Guimarães era gráfico. Ele devia R$ 1.400 a Sindra pelo atraso dos sete meses de aluguel. O inquilino havia prometido quitar parte da dívida. 'Meu marido estava perturbado e envergonhado nos últimos dias, por causa da dívida. Ele não dormia direito e só falava em honrar seu compromisso', contou Estela, chorando, sentada num sofá do 38º Distrito Policial, na Vila Amália. Ao lado da mãe também chorava o filho Dener, sem entender direito a violência cometida contra seu pai e seu irmão caçula.
O delegado Ademerval Mendes da Silva mobilizou uma equipe de investigadores e de policiais militares para tentar prender o assassino. Pelo menos três testemunhas presenciaram o crime.
Sindra havia ameaçado o inquilino e sua família nos últimos dias. À 1h de ontem, ele tentou agredir Estela e seu filho Diego. O proprietário jogou um copo de cerveja no rosto do adolescente.
No final da manhã, Sindra pegou sua pistola 380 e demonstrou sua crueldade. Efetuou 12 disparos contra as vítimas, inclusive na criança de 2 anos.
A matança revoltou os moradores do Jardim Peri. Estela estava indignada: 'Ele matou meu bebê indefeso. A criança nunca fez mal a ninguém. Poderia ter me matado. Será que ele fez isso só porque a gente é pobre?', indagou, aos prantos.
Até as 20h de ontem, Sindra continuava foragido. Diego também permanecia internado em estado grave. O delegado Ademerval Mendes da Silva mantinha a esperança de prender o assassino em flagrante. 'Vamos torcer para que isso aconteça. Caso contrário, irei pedir à Justiça a prisão preventiva do criminoso', explicou o policial.
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