| |
Cresce busca por velório gratuito para doador de órgão
Prefeitura se responsabiliza em custear o funeral. Em setembro, foram 300 casos, contra 170 no mesmo mês em 2005. Medida, que vigora desde 1994, ainda é pouco conhecida
Fernanda Aranda, fernanda.aranda@grupoestado.com.br
Por ajudarem a reduzir a fila de espera por um transplante, apenas em setembro, 300 famílias que perderam um parente doador de órgãos foram isentas de pagar os custos do funeral. Nesses casos, as despesas são pagas pela Prefeitura, que espera que a medida incentive ainda mais as doações.
O número de velórios gratuitos é quase o dobro do no ano passado, já que no mesmo mês de 2005 foram 170 isenções concedidas.
Poucos sabem mas, segundo o Serviço Funerário do Município, a dispensa da taxa para doadores vigora desde 1994 e é garantida pela legislação municipal. A economia no funeral, de cerca de R$1.000, serve na luta para salvar 16 mil vidas no Estado.
“À medida que mais pessoas vão conhecendo esse direito, aumenta a quantidade de velórios financiados pelo município”, afirma o superintendente do Serviço Funerário, Celso Jorge Caldeira. “Mas é importante ressaltar que a lei serve apenas para beneficiar aqueles que precisam de um órgão para continuar sobrevivendo”, explica.
Por isso, para ser contemplada, a família precisa de uma comprovação oficial sobre a viabilidade da realização do transplante do parente que morreu. O documento é fornecido pela instituição médica em que ele foi atendido.
“Há muitos óbitos que não permitem qualquer tipo de doação, ainda que a pessoa queira doar. O funeral só é gratuito quando é confirmada esta possibilidade”, diz Celso Jorge Caldeira.
Além da quantidade de velórios de graça na Capital, os dados estaduais também apontam que as doações de órgãos estão crescendo. Até outubro deste ano foram 5.478 transplantes realizados, entre órgãos e córneas. O número dos dez primeiros meses de 2006 já é quase o mesmo de todo ano de 2005, quando foram computadas 5.580 cirurgias deste tipo.
Para o coordenador da Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde, Luiz Augusto Pereira, o motivo do aumento é a conscientização das pessoas.
“São Paulo tem conseguido ampliar os transplantes com a conscientização da população. É um trabalho constante. É muito importante que a pessoa deixe clara sua intenção, de doar ou não órgãos. A doação pode salvar vidas.”
Para ser um doador, não é necessário deixar nada por escrito. Basta comunicar a família do desejo da doação ainda em vida.
|