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Moto é o meio mais rápido
CINTHIA RODRIGUES, cinthia.rodrigues@grupoestado.com.br
Um grupo de amigos respondeu ontem a uma pergunta que já passou pela cabeça de qualquer paulistano que tenha ficado preso no trânsito (ou seja, todo mundo): qual veículo anda mais rápido no horário de rush? A resposta foi a moto, como supunha a maioria das pessoas, mas houve surpresas. O segundo e terceiro lugar ficaram com as bicicletas, que vieram por caminhos diferentes, e o ônibus chegou antes do carro.
O Desafio Intermodal foi organizado pelo Movimento Bicicletada, que se reúne mensalmente para pedalar pela Capital. O evento foi uma espécie de aquecimento para o Dia Mundial Sem Carro, que acontece amanhã. Sete pessoas saíram às 18h15 da Praça General Gentil Falcão, próximo à Avenida Luís Carlos Berrini, no Itaim Bibi, com destino a Prefeitura, no Viaduto do Chá, Centro de São Paulo.
Com 38 minutos de prova, o motociclista Rodrigo Pinto, 28 anos, foi o primeiro a aparecer. Depois, levou mais seis minutos para estacionar e se apresentar a pé com exatos 44 minutos e 32 segundos. “Levou um pouco mais de tempo do que eu pensava, peguei muito trânsito na 23 de Maio”, disse, assumindo que correu entre os carros sempre que possível. “Respeitei a sinalização, mas fiz tudo como no dia-a-dia.”
Menos de quatro minutos depois, chegou a primeira ciclista, Cinthia Morales, 39 anos. Seu caminho foi o mais tranqüilo, por ruas residenciais da Vila Olímpia e um trecho dentro do Parque do Ibirapuera. Foram 13 quilômetros, com média de 18,5 km/h. “Não puxei o ritmo, chegamos a 50 km/h na descida”, garantiu a arquiteta, acostumada a dispensar o automóvel nos finais de semana. “Viemos com atenção, andar pelas ruas não é passeio, exige direção defensiva”, recomenda.
A segunda ciclista, Aruana Espindola, que foi por avenidas principais, chegou logo depois, aos 52 minutos e 15 segundos. “Foi complicado, ninguém dá espaço, e o trânsito estava pesado”, reclamou, insatisfeita com a própria marca. Estudante da Universidade de São Paulo (USP), moradora do Butantã e funcionária pública em Pinheiros, ela diz que só anda de bicicleta. “Nem carta de motorista tenho.”
O quarto colocado estranhou a festa dos colegas quando chegou, depois de mais de uma hora da saída. Inácio Guerberoff, 26 anos, embarcou em um ônibus da Avenida Luís Carlos Berrini até o Terminal Bandeira. “Dei sorte nessa parte, o ônibus estava parado no ponto”, admitiu. Em compensação, perdeu cinco minutos no Vale do Anhangabaú, quando desceu do lado errado e se perdeu. Ainda assim, chegou antes do carro. “Valeu a pena, gastei R$ 2 e vim tranqüilo, podia ter lido ou escutado música.”
Dez minutos depois chegou a motorista Mariana Cavalcante, 30 anos, que acredita ter feito a viagem mais estressante. Foram 11 quilômetros em 1 hora e 16 minutos, média de 10 km/h. “É um alívio parar de trocar as marchas e respirar ar fresco.” De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 19 horas de ontem eram 102 quilômetros de congestionamento na Capital. A média do horário é de 144 quilômetros.
Quem deu a maior volta foi o professor João Campos, 36 anos, que pegou um trem da Estação Berrini até Presidente Altino, na Zona Oeste, e de lá fez uma baldeação para a Barra Funda, onde pegou um Metrô até o Anhangabaú. Mesmo com a volta toda, chegou com 1 hora e 23 minutos. “O trem da Marginal Pinheiros demora muito e vem lotado, eu esperava fazer o trajeto um pouco mais rápido”, reclamou.
A última a chegar foi Renata Pinto, 25 anos, irmã do motociclista que chegou primeiro. Ela pegou um ônibus até Ana Rosa e de lá veio de Metrô. “Peguei um trânsito acima do comum”, lamentou.
O resultado do Desafio Intermodal não surpreendeu o organizador Thiago Benicchio. No Rio de Janeiro, onde a mesma prova foi realizada há um mês, a ordem foi praticamente a mesma. “Só temos que acrescentar aí, que a moto é a principal poluidora, enquanto a bicicleta a mais saudável.”
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