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Gás e pânico na estação
VAZAMENTOVinte e quatro pessoas precisaram de atendimento médico depois que uma massa de dióxido de enxofre atingiu as plataformas da CPTM de São Miguel Paulista
NATÁLIA ZONTA, natalia.zonta@grupoestado.com.br
Um erro de operação na Nitroquímica, indústria do grupo Votorantim, causou pânico na estação de trem da CPTM de São Miguel Paulista, Zona Leste. Uma massa de gás de dióxido de enxofre atingiu as plataformas e parte do bairro, causando mal-estar em quem passava pela região. Vinte e quatro pessoas foram encaminhadas para hospitais com vômitos, enjôos, ardência nos olhos e pressão baixa.
O acidente aconteceu por volta das 12h30. A estação estava cheia e muitos camelôs trabalhavam nas proximidades. 'Todo mundo saiu correndo por causa do cheiro, teve muito tumulto', disse José Carlos de Araújo, 37 anos, que esperava o trem no momento do acidente. 'Fomos em oito pessoas dentro da ambulância', continuou.
A maioria das pessoas foi encaminhada ao Hospital Municipal Tide Setubal. Lá, 17 pessoas foram medicadas. Uma jovem de 24 anos foi transferida para um hospital particular e continua em observação porque sofria de asma. 'Todos os pacientes entraram com sintomas parecidos, dor de cabeça e náuseas. Depois de algumas horas de observação, fomos liberando todos aos poucos', disse Elizabete Michelete , superintendente hospitalar.
Na hora do acidente, o maior receio das pessoas era de que o gás pudesse deixar seqüelas ou até matar. 'Senti minha garganta fechando, não conseguia respirar', disse Luciana Souza Porto, 34 anos. Ela chegou ao pronto-socorro e, de imediato, tomou inalação para limpar as vias respiratórias.
Os amigos Mari Almeida, 31 anos, João Luís Frederico, 32 anos, e Tatiane Neto, 23 anos, estavam esperando o trem para ir até o Brás. 'Foi uma correria, vi gente desmaiada, vomitando. A gente pensou que tinha sido um ataque terrorista', contou Mari. 'Eu cheguei a desmaiar, fui levada por meus colegas até a ambulância', disse Tatiane.
A empresa Votorantim Química informou que o motivo do acidente foi a mudança repentina da corrente de ar. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a indústria informou que, na madrugada de ontem, foi detectado um problema em uma das máquinas.
Para fazer a manutenção do equipamento, a produção foi interrompida às 2h. No momento em que a operação foi retomada, quando é comum a liberação de dióxido de enxofre, a direção do vento mudou e o gás foi para o bairro.
Segundo a indústria, o monitoramento do clima é feito, mas não houve como prever a mudança. Não foi divulgada a quantidade de gás emitida.
A Cetesb informou que vai analisar os procedimentos adotados pela empresa para definir se houve ou não alguma falha no monitoramento climático.
O dióxido de enxofre é resultado da queima de combustível e é usado como matéria-prima do ácido sulfúrico. Escapamentos de carros a gasolina e a diesel emitem a substância, que é conhecida por ser responsável pela chuva ácida.
Segundo o professor doutor de Química Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Reinaldo Bozito, quando inalado em grandes quantidades o gás pode ser extremamente nocivo.
'Quando entra em contato com a água, ele se transforma em ácido, por isso a irritação na garganta. Em casos extremos, inalar o dióxido pode levar à morte', afirmou.
Colaborou Cinthia Rodrigues
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