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Sai a vacina contra o câncer de útero
A partir de outubro, a imunização contra o papiloma vírus estará na rede privada
ADRIANA DIAS LOPES, adriana.diaslopes@grupoestado.com.br
Em outubro, a primeira vacina contra o papiloma vírus humano (HPV), responsável por 70% dos casos de câncer de útero, vai chegar à rede privada de saúde do País. A Gardasil, do laboratório Merck Sharp & Dohme, acaba de receber o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A vacina combate quatro tipos de HPV - os que respondem pelos casos de câncer de útero (tipos 16 e 18) e os responsáveis por 90% das verrugas genitais (tipos 6 e 11).
A vacina é indicada para mulheres de 9 a 26 anos de idade não infectadas. A aplicação é feita em três doses - a segunda é dada dois meses depois da primeira e a terceira, após seis meses da dose inicial. O laboratório ainda não definiu o valor das doses. Nos Estados Unidos, onde foi aprovada no início de junho pela agência regulatória FDA, cada dose da Gardasil custa US$ 120.
Por esse preço, as chances do produto entrar na rede pública são nulas. "Estamos conversando com mais de um laboratório (a GlaxoSmithKline tem a vacina em fase de teste clínico). Já tive uma reunião com eles, mas, por enquanto, sem chance", diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Prazo ainda é curto
O tempo de imunização da Gardasil é de cinco anos. O prazo também é questionado pelo governo federal. "A duração da imunização ainda é muito pequena para que se pense em incluir no calendário oficial", continua Barbosa. A ampliação da cobertura da vacina e sua eficácia em mulheres com mais de 27 anos estão em fase de estudo.
A vacina tem efeitos colaterais, mas são poucos - dor de cabeça, febre baixa e inchaço no local da aplicação. Os sintomas são do hidróxido de alumínio, um composto adicionado a algumas vacinas para turbinar o sistema imunológico.
O vírus é transmitido pelo contato sexual. Não precisa ter penetração para haver contaminação. Na maior parte das vezes a infecção não apresenta sintomas. O HPV pode ser detectado pelo Papanicolau, exame ginecológico.
O teste da vacina envolveu 25 mil mulheres. O Brasil teve participação importante. Na fase 2 dos estudos clínicos, a cientista Luisa Lina Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, foi a única da América Latina a participar do trabalho.
Só neste ano, serão 19.260 novos casos da doença, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Instituto Butantã, em São Paulo, também vai desenvolver a vacina contra os tipos de HPV 16 e 18, mas os estudos ainda estão no início.
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