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Terça-feira, 29 agosto de 2006   edições anteriores
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  O balé que desafia os sentidos

Escola na Vila Mariana dá aulas a crianças cegas

FERNANDA ARANDA, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

Sapatilhas cor-de-rosa pequeninas, cabelos presos, collant e meia-calça. De figurino completo e ao som de Mozart, dez bailarinas entre 4 e 9 anos aprendem as lições da dança clássica. Além do gosto pelo balé, todas as meninas são deficientes visuais e encontraram no curso uma maneira de ajudar na convivência com as pessoas que enxergam. Elas formam a primeira turma mirim da Academia de Arte e Dança para Cegos, que fica na Vila Mariana, Zona Sul.

As aulas são oferecidas individualmente ou, no máximo, em duplas. "Ensinamos a postura correta, noções de espaço e equilíbrio. Como elas exigem muita dedicação, dividimos as alunas em pequenos grupos", contou a professora Fernanda Bianchini, idealizadora do projeto e primeira bailarina do Brasil a elaborar métodos de dança para deficientes visuais.

Mariana Medeiros Serrão, 4 anos, é a mais nova da turma. Falante e inquieta, a bailarina mostra com orgulho os passos que aprendeu nas aulas. "Gosto muito de dançar. Aqui na escola, eu aprendo com as músicas calmas. Mas quando chego em casa, prefiro mesmo os sons mais agitados, como os da Madonna", disse a pequena, que no intervalo entre o colégio e a academia ensina às suas bonecas tudo o que aprende no curso de balé.

Em uma apresentação especial para o JT, Mariana mostrou a coreografia "Casa das Bonecas". Ao final dos passos e entusiasmada com as palmas, ela disparou sem titubear: "A professora errou tudo na dança. Aqui não tem problema, mas em dia de espetáculo não pode falhar, hein?"

A Academia é totalmente gratuita e as aulas são oferecidas por voluntárias. A fonoaudióloga e formada em dança Fabiana Almeida é uma das que destina suas manhãs a ensinar as meninas. "Aqui temos 45 alunas cegas, mas a maioria já é mocinha , na faixa entre 12 e 18 anos", explicou a voluntária.

"Mas o balé deveria ser estimulado desde muito cedo. Esse tipo de dança é um importante aliado do desenvolvimento físico e mental dos deficientes visuais", completou Fabiana Almeida.

A mãe de Mariana, Ana Cláudia Serrão, já percebeu a evolução da filha. "Em pouco mais de um ano, ela melhorou muito a coordenação motora. Fico toda orgulhosa", afirmou. A bailarina mirim pretende continuar no ramo artístico, mas disse que prefere outra área. "Quero mesmo é ser atriz."

Interessados em conhecer a Academia da professora Fernanda Bianchini podem ligar para (11) 5575-9898.



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