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Crédito para construir e reformar
Financiamento bancário e cartões de lojas do ramo são opções disponíveis; Caixa oferece três linhas
CHARLISE MORAIS, charlise.morais@grupoestado.com.br
A lista de materiais de construção é longa, mas o orçamento é curto. Essa é a realidade da maioria das pessoas que precisa construir uma casa ou fazer aquela reforma tão esperada e sofre com a impressão de que esse é um sonho distante. Para ‘encurtá-lo’ e tornar a obra factível basta fazer uma pesquisa criteriosa nos bancos - públicos e privados - e até mesmo nas lojas especializadas, que já contam com diversas linhas específicas para financiamento da compra de materiais de construção.
Nessa modalidade - que vale somente para pessoas físicas e deve ser empregada em imóvel residencial urbano - é possível conseguir crédito para adquirir artigos de construção, armários planejados e, em alguns casos, até mesmo para utilizar parte do valor para cobrir os gastos de mão-de-obra.
Somente a Caixa Econômica Federal - instituição que mais investe em habitação - oferece três produtos. Um deles é o Construcard, um cartão magnético de débito para uso em lojas conveniadas, que tem juros de 1,69% ao mês mais Taxa Referencial de Juros (TR). O prazo para pagamento vai até 36 meses e o limite, até R$ 180 mil, conforme análise de cada cliente.
Quem possui renda até R$ 4.500 tem outra opção: o Construcard FAT, que usa recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador e tem prazo maior para quitação. O limite varia entre R$ 3 mil e R$ 12 mil. O cliente tem até seis meses para realizar as compras nas lojas conveniadas e até oito anos para pagar. Os juros são de 9,7% - compostos com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). É necessário ter como garantia um aval ou uma caução com aplicações financeiras no banco ou alienar bens móveis ou imóveis, além da assinatura de nota promissória.
A terceira opção é a Carta de Crédito FGTS Individual, que usa recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para financiar pessoa física com renda familiar até R$ 1.900 - mas o imóvel deve ser destinado à residência do interessado.
Nessa modalidade de crédito é possível utilizar recursos da conta vinculada do FGTS para complementar ou para quitar o financiamento.
O valor vai até R$ 7 mil e 15% a mais pode ser solicitado para pagar a mão-de-obra. No entanto, a prestação não pode comprometer mais de 25% da renda familiar.
O cliente pode dividir os pagamentos por até oito anos. Para contratar essa linha, o imóvel tem de ser avaliado pela Caixa e o valor não pode ser superior a R$ 62 mil. Os juros são de 6% para renda familiar até R$ 1 mil e 8,16% para quem ganha entre R$ 1 mil e R$ 1.900.
Para os mercados financeiro e da construção civil e para os consumidores, o financiamento para compra de material de construção tem estimulado os negócios. De acordo com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o ano passado apresentou extraordinário crescimento, com elevação da compra de material de construção por meio de financiamento. Porém, esse volume não forçou a baixa das taxas.
“Não houve queda nos juros, conforme era esperado para o segundo semestre de 2006, e o setor vem apresentando queda”, diz o presidente da associação, Cláudio Conz.
Segundo a Anamaco, 70% dos materiais de construção produzidos no Brasil são vendidos nas lojas. “O setor de construção é auto-gerido pelo varejo”, defende Conz.
Ele explica ainda que existe vontade por parte da população em comprar e parcelar a longo prazo, mas que é necessário praticar no mercado taxas de juros menores para o consumidor final.
“Quando há ampliação nas linhas de financiamento, aumenta também o mercado e, conseqüentemente, há maior geração de renda, impostos, empregos e habitação à população”, diz Conz. “Além disso, depois da casa pronta, é necessário mobiliar, comprar eletrodomésticos e tudo o que vai dentro dela, e isso gira outras economias.”
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