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Domingo, 20 agosto de 2006   edições anteriores
ECONOMIA
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  Mantega: 'Casa própria terá prestação fixa'

Ministro da Fazenda diz que deve ser aprovado, dia 29, fim da Taxa Referencial das prestações de financiamento de imóveis. Idéia é reduzir juros cobrados

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que está na fila para ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), no dia 29, uma medida que vai agradar tanto ao setor da construção como aos interessados em comprar novos imóveis. "Vamos eliminar a TR (Taxa Referencial) das prestações. Elas passarão a ser fixas", anuncia, acreditando estar incentivando também uma maior competitividade dentro do setor.

Além disso, segundo ele, estuda-se incluir medidas financeiras para ampliar financiamentos também às construtoras. Sobre essas ações, Mantega guarda segredo. Abaixo, a entrevista que o ministro deu ao JT:

Quais incentivos a Fazenda pretende adotar para a construção civil?

O setor será um dos pólos dinâmicos da economia no segundo mandato de Lula, se ele vier a ocorrer. Ele havia estagnado. Agora, com inflação baixa e estabilidade, tem condições de avançar. Uma dessas condições é juro baixo. Estamos estudando mecanismos para dar crédito de longo prazo ao setor da construção. É novo filão a ser explorado, com ajuda da alienação fiduciária, que dá garantia de retomada do imóvel caso haja inadimplência.

Estão em estudo medidas para reduzir os juros do crédito imobiliário?

Vamos aprovar no Conselho Monetário Nacional medida que vai eliminar a TR dos contratos de financiamento imobiliário. Vamos introduzir prestações fixas. E, pelo que senti na conversa com alguns bancos, há quem esteja disposto a tirar a TR e não aumentar a taxa de juros cobrada. Isso significa redução entre 2,5% e 3% ao ano. Na média, os bancos cobram TR mais 12% quando se trata de financiamento imobiliário. Portanto, será uma redução de quase 20% dos juros.

Por que os bancos fariam isso?

Eles têm interesse de fidelizar o cliente. Este ano devemos ter mais de R$ 20 bilhões financiando a habitação. Parece muito, mas não é. O financiamento a este setor corresponde a menos de 3% do PIB. Em outros países, esta parcela consome 20%, 30% do PIB.

Não seria necessário mais ajuste fiscal para aumentar investimentos? Os gastos correntes estão aumentando.

Ano eleitoral sempre tem aumento de despesa corrente e depois ela cai. Com FHC também houve. Estamos dispostos a mais quatro anos de superávit primário, assim a relação dívida/PIB seguirá caindo.

O governo está planejando um ajuste fiscal mais forte em 2007 para compensar o aumento de gastos?

Eu não estou sabendo disso. Mas eu garanto que as contas públicas estarão sob controle e o contingenciamento que tiver de ser feito será.



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