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Porta de avião cai logo após a decolagem
Problema com Fokker 100 da TAM ocorreu por volta das 14h de ontem, gerando pânico a bordo
CARINA FLOSI, carina.flosi@grupoestado.com.br
"Nunca vou esquecer aquela cena de filme de terror: a aeromoça descabelada, se segurando na cadeira de emergência para não ser sugada para fora do avião. Ao mesmo tempo, quase cem pessoas gritando desesperadas, trocando olhares de pânico. Uma criança chorando: 'Mãe, me salva''', lembrava ontem a dona de casa Edna Lopes Bezerra, 39, que estava no Fokker 100 da TAM que ontem teve a porta desprendida após a decolagem, às 13h47, do Aeroporto de Congonhas.
A aeronave levantou vôo com destino a Maceió, com escalas , no Rio de Janeiro (Galeão) e em Salvador. O alarme soou 14 segundos depois da decolagem. Passaram-se três minutos e a porta abriu e se desprendeu do Fokker. A peça bateu na asa e caiu sobre o telhado do supermercado Extra da Av. Ricardo Jafet, na Zona Sul.
O avião retornou à pista 17 minutos após a subida. Durante o retorno ao aeroporto, o piloto, pelo microfone, e os quatro tripulantes tentaram tranqüilizar os 79 passageiros. "Quem vai ter calma nessa hora? Tudo estava estranho. Primeiro, assim que o avião decolou, ouvimos um estrondo. Depois, a porta despencou. E se fosse a uma altitude maior? O que iria acontecer? ", desabafou, Richard Kocher, 35, que pegaria um vôo para a Suíça no Rio.
Além da ventania, o que mais assustou os passageiros foi o barulho. "É como se você abrisse rapidamente uma janela de um carro que está a 160 km por hora. Se alguém estivesse em pé naquele momento, sairia voando", explicou um piloto.
As máscaras de oxigênio não foram ejetadas para os passageiros porque a aeronave estava em uma altitude que não trazia risco de despressurização. A Agência Nacional de Aviação Civil informou que o avião estava a cerca de 6 mil pés, quase 2 mil metros, e só haveria problemas a partir de 3 mil metros.
Assim que o avião pousou, parte dos passageiros se abraçou. "Outros pareciam estar em estado de choque. Olhavam fixo para o chão, sem acreditarem ainda estar vivos", acrescentou Edna.
Dois passageiros receberam atendimento médico no aeroporto, com problemas de pressão alta. Quatro decidiram não voar, os demais reembarcaram em outros vôos. Para os especialistas ouvidos pelo JT, só não aconteceu uma tragédia porque o avião ainda estava em baixa altitude.
"Nunca vi uma porta despencar. Ainda no solo se inicia o processo de pressurização, e ele vai aumentando conforme a subida. O avião sobe rápido, mas pressuriza devagar. Isso pode ter evitado uma mini catástrofe. Se o avião estivesse mais alto, os passageiros em pé seriam sugados. Os que estivessem com cinto de segurança, não", avaliou o engenheiro especializado em aviação Ernesto Klotzel.
A TAM não respondeu a maior parte das questões feitas pelo JT. Apenas divulgou uma nota: "As causas do ocorrido já estão sob investigação das equipes de segurança de vôo, das autoridades aeronáuticas e da própria empresa. Não há indícios de qualquer problema mecânico. O avião passou por checagem em 28 de junho e estava com a manutenção rigorosamente em dia."
A caixa preta da aeronave já está com a Anac. Os resultados da perícia sairão em 90 dias.
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