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Quarta-feira, 9 agosto de 2006   edições anteriores
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  Tropas prontas para agir

MARCELO GODOY, marcelo.godoy@grupoestado.com.br

O Exército prepara suas tropas para o emprego em São Paulo por causa dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se de uma opção política e não técnica tida como quase certa, pois a análise é que o governador Cláudio Lembo (PFL) será pressionado a pedir a presença dos militares nas ruas do Estado. Em uma escala de zero a dez, acredita-se que a chance do Exército atuar em São Paulo é dez.

Símbolo da importância que a questão tomou no jogo político nacional é o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decidido anteontem à noite que virá ao Comando Militar do Sudeste (CMSE) passar em revista as tropas incorporadas em julho - ao todo, 2,4 mil homens foram incorporados aos 20 mil do CMSE. Trata-se da primeira visita do presidente Lula a essa grande unidade.

Enquanto isso, silenciosamente, os militares estão preparando o plano de emprego da Força Terrestre em São Paulo. Algumas unidades viriam de quartéis do próprio Estado, como os homens da 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel), sediada em Caçapava. Trata-se de homens que serviriam duas vezes em operações de manutenção da ordem pública no Haiti. Além deles, há a perspectiva de que os homens da 11ª Brigada de Infantaria Leve, com sede em Campinas, e os da Brigada Pára-quedista, que seriam trazidos do Rio.

Outras tropas de emprego rápido e de grande mobilidade poderiam ser usadas. O Exército teria, no fim, capacidade de mobilizar até mais dos que os 10 mil homens que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ter preparados para entrar em ação em São Paulo em um prazo de 48 horas.

A entrada dos militares no combate ao crime organizado em São Paulo teria como principal função o efeito dissuasório sobre o crime. Do ponto de vista técnico, os componentes das Polícias Civil e Militar não precisariam de apoio, neste momento, para a manutenção da ordem pública, o que só ocorreria em caso de caos completo na segurança - como no caso de uma greve na Polícia Militar.

Aí é que está o problema. O governador e o Exército acreditam que a tropa na rua impediria novos ataques, mas quando os militares retornassem aos quartéis, os riscos de isso voltar a acontecer seriam altos, pois as raízes do problema - a indisciplina nas prisões e a dificuldade de se cortar a comunicação entre líderes da facção e seus subordinados - continuariam intactas. Se isso ocorresse, o governo federal sairia fortalecido enquanto que o Estado ficaria enfraquecido politicamente.

Alto custo

Além disso, o cliente é que deve pagar a conta. Ou seja, quem solicita o Exército arca com os custos. O governador Lembo sabe disso, pois está em contato constante com o general-de-exército Luiz Edmundo de Carvalho. No caso do convênio que permitiu ao Estado usar o helicóptero HM-3 Cougar, o custo de US$ 50,6 mil pelo uso do aparelho ficou com o governo estadual.

O emprego da tropa traria alguns problemas. O maior temor dos militares: virar alvo de ataques do PCC, espécie de "patinho em parque de diversão". A imagem que mais os atormenta é a de uma motocicleta com dois homens passando por um posto de comando e disparando na tropa. Caso um de seus homens fosse baleado ou morto, isso se transformaria em um problema para a instituição.

Para os militares, os atentados cometidos pelo PCC utilizam táticas de guerrilha e são praticados por grupos reduzidos de pessoas. A tática para derrotá-los deve ser policial. Por isso, teme-se o desgaste da imagem da corporação junto à população.



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