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Igreja do santo casamenteiro pede ajuda
A igreja Santo Antônio do Pari quer reconstruir a ala destruída por um incêndio, depois da festa do padroeiro, na quarta-feira passada
VALDIR SANCHES, valdir.sanches@grupoestado.com.br
Parece milagre: o fogo destruiu o teto do altar lateral, escombros caíram sobre ele, mas os santos permanecem intactos. Isto é o que se vê, depois do incêndio que atingiu a ala direita da Igreja Santo Antônio do Pari, esse bairro da Zona Leste, na quarta passada.
Há uma explicação. Quando o fogo alcançou o altar, os bombeiros chegaram e começaram a jogar água. Mas restou outro milagre. As chamas subiram pelos 52 metros da torre direita, alimentadas pelas escadas de madeira. Lá no alto, destruíram as bases que sustentavam quatro sinos. Os sinos, de bronze, pesam coisa de sete toneladas. Vieram abaixo, mas, no caminho, foram salvos pela caixa d'água, que os aparou.
A operação para desentalar os sinos é só uma das preocupações dos padres que cuidam da igreja. Como se fará e quanto custará uma coisa dessas? Ontem, com a igreja interditada e às escuras, frei Euclydes Pizzamiglio, vigário paroquial, avaliava a situação geral. "Além do que está à vista, não sabemos que estragos não-visíveis precisaremos consertar."
Só com o que se vê, pode-se pensar em gastos elevados. Uma comissão foi formada para estudar formas de angariar ajuda. Por ora, um cartaz na porta principal, fechada, indica uma conta para depósitos (Caixa Econômica Federal, agência 1166, conta 003-1306-5). Há também o telefone 3311-0513.
A nave central e a lateral esquerda da igreja estão preservadas. Na da direita, o teto, com seu precioso forro de madeira trabalhada, foi consumido. O incêndio começou no velário, no começo da ala direita. "Foi muita vela, e ventilação deficiente", diz frei Euclydes.
A véspera do incêndio foi dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Milhares de pessoas estiveram na festa (barracas, comidas) em seu louvor. Foram ao velário: duas câmaras à entrada da ala direita.
Perto das 2h, dois dos dez frades que vivem no convento (anexo) viram o incêndio e tentaram apagá-lo com extintores. "Eles apagavam, mas as chamas voltavam", diz frei Euclydes. "Certa hora, os vidros do velário explodiram."
O fogo correu pela comprida lateral direita e consumiu o teto (os altares em nichos ficaram preservados). No sentido oposto, passou para a torre, que não perdeu os sinos mas ficou sem o relógio e seu mecanismo.
Ontem, Elza Nogueira de Sá e a cunhada, Rosalina, portuguesas, com 25 anos de Pari e de igreja, lamentavam-se. Vai ser preciso muita ajuda, "mas a igreja está pobrezinha". Com os anos, perdeu muito fiel. O primeiro pároco (em 1924) foi um português. "Mas os velhos portugueses morreram, hoje o Pari tem mais coreanos e bolivianos", dizem.
As duas mulheres fizeram sua parte. Anotaram o número da conta bancária para contribuições. "Vamos passar para os amigos."
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