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Sexta-feira, 16 junho de 2006   edições anteriores
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  Brincando com boneco

Até 30 de julho, o público poderá conferir as brincadeiras dos fantoches do Mestre Valdeck no Sesc Santana

LUDMILA AZEVEDO, ludmila.azevedo@grupoestado.com.br

A origem dos fantoches e títeres divide estudiosos. Enquanto uns defendem que eles surgiram na Índia, outros dão como certo o Egito. O fato é que os bonecos já freqüentavam as feiras livres na Roma e na Grécia Antiga. No Brasil, a encenação com varas, linhas ou luva tem uma história particular em cada região. Uma das mais difundidas é a do mamulengo, em Pernambuco. Também conhecido como babau, brincadeira de molengo, o nome veio da expressão “mão molenga”. Nada mais brasileiro, já que historiadores apontam os holandeses como os responsáveis por apresentar o Jan Pickel Herringe (uma espécie de antecessor do mamelungo) à região nordeste.

Bonequeiro há mais de 25 anos, Mestre Valdeck de Garanhuns, pernambucano radicado em São Paulo, está super empolgado com os dez espetáculos gratuitos que faz no Sesc Santana até o dia 30 de julho. Ele prefere chamar cada apresentação de brincadeira. “Eu crio a maioria das histórias e me baseio na cultura popular, na literatura de cordel e em familiares, amigos e conhecidos”, conta. A mulher e o filho do artista ajudam na criação de cada personagem. “São montagens com um clima bem familiar e que agradam às pessoas de todas as idades”, diz Mestre Valdeck.

Pedagogo por formação, desde criança o artista ficava encantado com os mamulengos. “Minhas maiores influências foram os Mestres Saúba e Solon”, diz. Após o convite do amigo Augusto de Oliveira, o Augusto Bonequeiro entrou no circuito de festivais itinerantes, que acabaram tornando-se os grandes divulgadores da brincadeira.
“Acho que a cultura deveria fazer parte da educação do povo brasileiro. Você precisa se conhecer para ter uma identidade. A televisão e a mídia em geral têm sido, grande parte das vezes, um calo na arte. Muito do que é veiculado traz falta de conhecimento, de informação. É preciso manter o belo. Mostrar os repentistas, os violeiros, os pintores naïf. Se perdermos isso, iremos empobrecer mais”, diz Valdeck.

A solução do bonequeiro para manter viva a chama da arte popular foi misturar o espírito lúdico do teatro de mamulengo à teoria, sem querer dar lições de certo e errado. “Eu faço as brincadeiras e acabo educando sem ser muito didático. Procuro passar valores éticos e fazer o público pensar”, detalha. Tudo isso nas entrelinhas, já que o bom humor pontua as apresentações. “O riso é a essência do mamulengo”, arremata ele.



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