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492 mortes na semana do terror
Dados foram divulgados pelo Conselho de Medicina
CAMILLA RIGI, camilla.rigi@grupoesta0do.com.br
Um mês depois do início dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a polícia, agências bancárias e ônibus coletivos, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou que 492 pessoas foram mortas por arma de fogo no Estado na semana de violência, de 12 a 20 de maio. O total de mortes inclui todos os tipos de crime, inclusive suicídio, mas significa uma média diária três vezes maior que o normal - 61 por dia contra 20 normais.
Os dados serão entregues hoje ao Ministério Público Estadual e Federal e a Defensoria Pública. "Isso só pode demonstrar que houve mais mortes que a Secretaria de Segurança Pública divulgou", afirmou o coordenador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves.
O relatório que será entregue hoje também mostra que houve grande pico de mortes por arma de fogo na capital, Grande São Paulo e no litoral. O nome de todas as vítimas, cópias dos laudos definitivos coma data e o local das mortes também constarão do documento.
A partir desses dados, a Defensoria, o MPE e o MPF deverão cruzar com outras informações de inquéritos e boletins de ocorrência para tentar descobrir o que realmente aconteceu em cada crime. O perito criminal Ricardo Molina é quem fará a assessoria técnica no cruzamento de dados. A Secretaria de Segurança Pública admitiu que a polícia tinha envolvimento em apenas 122 mortes em todo o Estado.
Hoje, a coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) se reúne para avaliar o primeiro mês pós ataques do crime organizado e também para discutir a realização de uma campanha pela saída do secretário de segurança pública Saulo de Castro Abreu Filho. O secretário é acusado pelas entidades de falta de transparência e possível omissão com relação às mortes ocorridas na semana do terror (entre os dias 12 e 20 de maio), por não ter avisado com antecedência os policiais e a própria sociedade dos crimes que estavam pra acontecer.
As entidades também responsabilizam o secretário pela não divulgação da lista completa dos mortos e de sonegação de informações com relação às apurações dos casos. O número de mortes divulgado pela Secretaria de Segurança pode ser superado após a análise detalhada dos 492 laudos que estão com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo. "Um mês após os ataques e as mortes, sequer sabemos exatamente quantos morreram no período, o sistema prisional continua sem controle, os policiais continuam sem estrutura de trabalho, a maioria das famílias dos agentes do estado que morreram não receberam indenizações. As condições continuam propícias para que novos ataques e mortes ocorram em São Paulo", afirmou Ariel de Castro Alves, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
Também nesta segunda-feira, às 16hs, a Comissão Especial Independente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), que é formada por representantes de entidades de direitos humanos e por órgãos públicos, se reúne com promotores de Justiça e com membros do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).
Ato pela paz no Ibirapuera
Uma manifestação no Parque do Ibirapuera marcou ontem um mês do início dos ataques organizados pelo Primeiro Comando da Capital com o lançamento do manifesto "Vire este jogo: paz é a gente que faz". A idéia é manter a cobrança de ações do poder público, mas também envolver a sociedade.
Cerca de 30 entidades participaram da manifestação e compuseram um painel com frases e desenhos com pedidos de paz. O coral da Guarda Civil Metropolitana se apresentou e houve um minuto de silêncio pelos mais de 160 mortos na semana dos atentados. "Parece que foi ontem que a gente não tinha ônibus para ir trabalhar", comentou Fabiano Dias da Silva, 28 anos, que passeava pelo parque e parou para apoiar o evento. "A gente sentiu o terrorismo de perto", disse.
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