Não se deixe enganar pelo estrangeirismo do nome artístico. O DJ Andy é paulistano da gema. Ele cresceu na Mooca, torce para o Corinthians e começou a discotecar com 15 anos de idade, nos tempos em que tudo era colocado no mesmo pacote e rotulado simplesmente como "dance music".
O jungle deu lugar ao drum 'n' bass e a pesquisa pela sonoridade mais alternativa virou uma constante. Há pelo menos dois anos consecutivos, Andy é eleito por publicações especializadas como as revistas Beatz e DJ Sound como o melhor do gênero. Sua agenda anda bastante disputada por conta do sucesso. "Acho que isso é o retorno da minha dedicação. Tenho amor pelo que faço", acredita.
Aos 30 anos, o DJ marcou presença em todas as edições do Skol Beats e neste ano, depois de muito "fechar" a programação da tenda DJ Marky and Friends (coisa que muitos artistas não gostam de fazer porque é literalmente o fim de festa), Andy ganhou de presente, digamos, o horário nobre na linguagem dos baladeiros, já que seu set começa às cinco da manhã de domingo.
"Vou misturar novidades, velharias e apresentar alguns hits. A empolgação de levantar o público é a mesma, mas é preciso sempre inovar para ter a pista cheia, o que não é fácil depois de Marky, Hype e Andy C. Dependendo do êxtase do público, até dá para arriscar uma performance, como a que eu fiz uma vez: subi no toca-discos e fiz scratch com os pés", conta Andy. Para o DJ, a atitude seria mais ou menos como "destruir a guitarra" num show de rock lotado.
Depois do Skol Beats, o DJ Andy segue para uma turnê na Europa. É a segunda de 2006. No primeiro semestre, ele esteve nos Estados Unidos, Canadá e na Venezuela, onde a cena é bem forte. Mas e no Brasil, o drum 'n' bass não anda meio apagado? "Houve uma ascensão do estilo a partir de 2002 e muita gente estourou. Depois disso, a mídia parou de dar destaque e deu essa impressão de que o drum 'n' bass ficou estagnado", afirma.
Talvez por conta disso, seja comum pensar que para se garantir sucesso, basta pegar uma música de algum medalhão da MPB, a exemplo do que fez Patife com Só Tinha de Ser Com Você e Marcelinho da Lua com Cotidiano e elevar seus bpms (batidas por minuto) a 180. Andy defende que o drum 'n'bass não é só um remix bem sacado. "Para mim é o estilo mais rico que existe. Posso mixar bossa nova, rock, house e tecno. Um dos meus maiores sucessos entre o público é Funk Dog , de George Clinton".
O DJ Andy, que deu seus primeiros passos na Overnight, uma das casas noturnas mais importantes de São Paulo, atualmente não tem residência fixa. "Com exceção da Lov.e, que tem algumas noites dedicadas ao drum 'n' bass, não há muito espaço por uma questão de preconceito. Tem gente que acha que é som de periferia. Isso me chateia, porque hip hop também já foi considerado um estilo de gueto e hoje a playboyzada curte", explica.
No entanto, ao invés de reclamar, ele preferiu arregaçar as mangas e criar o projeto Subgrave. A balada mensal tem como proposta dividir as atenções dos freqüentadores e da imprensa entre um artista consagrado internacionalmente e um novo talento.
"A carreira de DJ não dura para sempre. Por isso, acho importante mostrar que não há poucos nomes de peso na cena", define. O recorde de público do Subgrave foi com a apresentação dos ingleses do Pendulum,em fevereiro, reunindo 600 pessoas, lotação máxima do espaço. "Assim que voltar da turnê, vou ter que procurar outro lugar para a festa e reativá-la", anima-se.
O endereço novo virá junto com o lançamento de mais um disco da carreira, o décimo primeiro, entre singles e compilações. A procura da batida continua.