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  O Código Aleijadinho

Inspirado no sucesso de vendas 'Código DaVinci', o mineiro Leandro Müller lança livro que mistura mistério e arte brasileira

CAIO QUERO

caio.quero@grupoestado.com.br

Um estudioso de arte morre sob circunstâncias misteriosas em um prédio histórico. O crime ocorre depois de ele ter feito uma importante descoberta que poderia revolucionar a história da arte e a história mundial. Mas uma antiga seita secreta não quer que esses segredos sejam revelados ao mundo. O enredo parece familiar? Não, não estamos falando do best-seller O Código Da Vinci, escrito pelo americano Dan Brown, que já vendeu milhões de exemplares por todo o mundo e se transformou em um filme que deve estrear ainda este mês. Trata-se do livro O Código Aleijadinho, cover tupiniquim escrito pelo jornalista mineiro Leandro Müller. Lançada pela editora Espaço e Tempo, a obra deve chegar às lojas no próximo dia 10.

"Trabalhava em uma livraria no Rio quando O Código Da Vinci foi lançado. O sucesso de vendas fez com que eu e mais dois amigos tivéssemos a idéia de escrever um livro parecido, mas que tivesse a obra do escultor Aleijadinho como eixo principal. No final, eu acabei tocando o projeto sozinho", lembra Muller.

Ele conta que para escrever a obra, juntou todas as suas economias e se demitiu do emprego. Começou então a fazer pesquisas e viajou para as cidades históricas de Minas Gerais para ver de perto as obras do escultor barroco e as igrejas históricas. Em cerca de oito meses, o trabalho já estava pronto. "Entrei em contato com várias editoras até que o pessoal da Espaço e Tempo ficou empolgado com o projeto e decidiu publicá-lo."

Na trama, um alto funcionário do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) descobre na Igreja da Sé da cidade mineira de Mariana um afresco escondido de autoria de Aleijadinho. A descoberta já poderia ser surpreendente por si só, pois não há notícias de nenhuma pintura feita pelo escultor nascido em Vila Rica por volta de 1730. Mas o mais intrigante é que o afresco traz importantes revelações sobre a Sociedade dos Eternos, uma seita secreta que guardaria o segredo da vida eterna e da qual Jesus, Buda, Maomé e todos os participantes da Inconfidência Mineira fariam parte.

Depois da descoberta, o estudioso é encontrado morto. O caso leva o melhor amigo do pesquisador e sua filha a empreenderem viagens pelas cidades históricas de Minas Gerais para descobrir os responsáveis pelo assassinato. Mas a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) também entra no caso e aponta os dois protagonistas como os principais suspeitos do crime. Com a polícia em seu encalço e aproveitando seus conhecimentos sobre história da arte, os dois vão conseguir resolver o mistério.

Müller garante que a idéia de falar sobre os "eternos" surgiu em uma viagem à Rússia, quando conheceu um homem que alegava ter mais de 6 mil anos de idade e que narrava passagens históricas com uma riqueza impressionante de detalhes. "Quando fui desenvolver a trama do livro, me lembrei desse cara e decidi colocar o que me ele me contou." Estudante de filosofia, ele diz que o livro também traz importantes conceitos filosóficos diluídos na trama policial.

No melhor estilo samba-do-crioulo-doido, O Código de Aleijadinho mistura personagens e histórias díspares como a queda do Império Romano, os surgimento de grandes religiões monoteístas,o Conde de Saint-Germain, os profetas bíblicos e a Inconfidência Mineira em uma trama cheia de mistérios. Há também algumas referências diretas a O Código Da Vinci. Para começar, já nos agradecimentos, o autor presta uma homenagem à Dan Brown, seu inspirador. Em outro trecho do livro, a protagonista diz ao seu parceiro de investigações que ele está se achando um Robert Langdon, personagem principal do best-seller internacional.

Assim como no livro de Dan Brown, que descreve com detalhes obras de arte, museus e prédios históricos da Europa, O Código Aleijadinho traz detalhes e a história de prédios antigos de Minas, do Rio de Janeiro e de obras de arte barrocas. Nas primeiras páginas do livro, há uma advertência que diz que as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos correspondem rigorosamente à realidade. Mas o mais surpreendente é que o aviso está escrito com exatamente as mesmas palavras da advertência presente nas primeiras páginas da edição brasileira de O Código Da Vinci, publicado pela editora Sextante. Müller não faz questão de esconder de onde veio a inspiração para seu primeiro livro.



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