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Segunda-feira, 10 abril de 2006   edições anteriores
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  Trair, coçar e filmar

Baseado na peça, o longa chega ao cinemas em agosto

FLÁVIA GUERRA

"Não fala palavrão que hoje tem jornalista no set", brincava o diretor Moacyr Góes para um grupo de atores. Assim era um dos últimos dias de filmagem de Trair e Coçar É só Começar, adaptação da peça de Marcos Caruso para o cinema. Adriana Esteves está no papel da doméstica, Olímpia que já levou mais de quatro milhões de brasileiros ao teatro. Orçado em R$ 6,2milhões e produzido por Diler Trindade, o filme deve estrear já em agosto.

A lista dos atores inclui nomes como Cássio Gabus Mendes , Bianca Byington, Ailton Graça, Otávio Müller, Cristina Pereira e Márcia Cabrita. Todos espremidos em um pequeno lavabo do apartamento dos patrões de Olímpia, em uma cena hilária e decisiva para o desfecho da comédia. Mesmo depois de ensaiar várias vezes, os atores continuavam dispostos a rir de si mesmos e das situações criadas por Caruso. Se a máxima de que o clima nos bastidores de uma filmagem fica impresso na película, Trair e Coçar tem tudo para fazer tanto sucesso nos cinemas quanto fez nos palcos do País.

Góes, responsável por filmes como Xuxinha e Guto contra os Monstros do Espaço (2005) e Maria, Mãe do Filho de Deus (2003), conta como o projeto nasceu: "Foi há um ano e meio, quando Diler e eu conversávamos sobre fazer adaptações de peças para. Sugeri de primeira Trair e Coçar, que é um fenômeno e não apela para o mau gosto", conta Góes.

De volta ao set, no meio da bagunça, uma visita do autor. "Estou fascinado com o cenário 60% se passa em um apartamento. É primordial que o cenário funcione", comentou Caruso.Uma preocupação de Caruso era não perder o tempo real em que a peça se desenrola. "O filme começa às seis e meia da tarde e termina às oito da noite. Assim como no teatro, ele é linear. Isso não é fácil porque as ações são paralelas. A montagem exige mais. Mas não quis perder isso porque faz com que o filme tenha uma tensão. Muitos cortes quebram o ritmo."

Diretor e autor se dizem felizes com a escolha de Adriana Esteves para viver Olímpia. "Várias atrizes fizeram a Olímpia, como Marilu Bueno, Denise Fraga, Sueli Franco e Iara Jamra. Jamais pensaria na Adriana." conta Caruso. "Mas sabia que ela daria credibilidade ao personagem. Ela faz tudo que faz porque acredita que está fazendo o bem para os patrões. A peça sobrevive porque é ingênua",diz Caruso.



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