A rebelião de ontem foi apenas uma amostra do que está ocorrendo no Complexo da Febem do Tatuapé, segundo o promotor da Infância e Juventude Thales Cezar de Oliveira. "O que se vê é uma cultura carcerária. Cuidam da muralha para fora, mas dentro o adolescente está dominando", diz.
Para entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente, entretanto, os problemas são a repressão e os espancamentos. No mês passado, o Conectas Direitos Humanos entrou com uma ação na Vara da Infância e Juventude denunciando maus-tratos contra internos na Unidade 14 do Tatuapé.
A entidade aponta que, segundo os adolescentes, as "agressões são constantes, praticadas por quase todos os funcionários". "Eles são agredidos com pedaços de madeira e cabos de vassoura e depois vão para duchas frias para fazer sumir as marcas, que assim mesmo podem ser vistas nas costas e no peito de alguns jovens."
O Ministério Público também está investigando as denúncias de agressões.
Na opinião do advogado Ariel de Castro Alves, que integra a Comissão Nacional de Direitos Humanos, a rebelião na unidade 14 era questão de tempo. Os jovens estavam apreensivos porque temiam ser transferidos para o antigo Presídio Feminino.