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Em três meses, Estado tem mais motins do que em 2005
Já foram registrados este ano 18 casos em presídios estaduais, quatro a mais do que no ano passado. Todos foram provocados após tentativa de fuga dos presos
JOSMAR JOZINO
Dia 20 de fevereiro, segunda-feira. Luzia Mara Lopes, 38 anos, católica, acordou pontualmente às 4h30. Como faz todas as manhãs, rezou o pai-nosso, a ave-maria e pediu a Deus proteção para ela e suas colegas de trabalho. Às 6h já estava no serviço, na Penitenciária Feminina Sant'Ana, Carandiru, Zona Norte da Capital. Três horas depois começou a viver o maior drama de sua vida: fora feita refém, espancada e ameaçada de morte por detentas rebeladas.
Além de Mara, outros 206 agentes penitenciários passaram pelo mesmo trauma, este ano, em 18 motins - quatro a mais dos 14 registrados em 2005 - e em três rebeliões nos presídios paulistas. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), a explosão de motins com funcionários reféns foi provocada após tentativa de fuga dos presos.
Mara ainda não superou o trauma e passa por acompanhamento psiquiátrico. Na rebelião de 20 de fevereiro, ela foi amarrada a um botijão de gás. A agente penitenciária foi obrigada a vestir o uniforme de presidiária e acabou espancada com o cabo de uma enxada. Também teve uma faca e um caco de vidro encostados em seu pescoço.
A funcionária passou oito horas e meia de terror em poder das presas. Só foi libertada às 17h30. Além do trauma psicológico, Mara também teve deslocamento da bacia. Ela saiu da Penitenciária Sant'Ana e foi internado no Hospital do Servidor Público Estadual, na Zona Sul. Sete colegas de Mara também foram feitas reféns. Uma delas foi obrigada a tomar solvente e desmaiou. Outra sofreu ferimento na cabeça causado por facada.
A amarga experiência foi vivida por Júlio César dos Santos, em 8 de fevereiro, na Penitenciária de Martinópolis. Ele e mais quatro funcionários foram feitos reféns. Santos levou socos no rosto e olho direito.
No último dia 3, o agente Márcio Muchide Lasmar levou uma facada nas costas durante motim na Penitenciária de Casa Branca. Ele está internado no Hospital do Servidor Estadual. O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional (Sifuspesp), José Rinaldo Machado, 40 anos, está apreensivo com a onda de motins.
Segundo Machado, os detentos estão agindo do mesmo modo, tentando fuga e fazendo reféns, como se estivessem testando a segurança das unidades. Já o diretor do sindicato. Luiz da Silva Filho, 46 anos, disse que os funcionários não têm sequer um plano estadual de saúde.
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